CAPÍTULO 5

POV Dante

Horas atrás...

Aquele era para ser o dia perfeito.

Acordei naquela manhã de um jeito que não me sentia desde criança: animado, nervoso e entusiasmado.

Era o aniversário de Vivianne, minha namorada e futura esposa. A única mulher que conseguiu tocar meu coração.

Eu nunca me importei com namoros e mulheres. Desde jovem, fui criado de forma rígida para assumir os negócios da família. O conceito de diversão e passatempos não existia para mim; absolutamente tudo que eu fazia era pelos negócios.

Festas, eventos, jogos, tudo para acompanhar e agradar clientes e parceiros valiosos.

Mas então, num desses eventos, conheci ela, Vivianne Montclair. A mulher mais bela, brilhante e radiante que já passou pelos meus olhos.

No momento em que a vi, pareceu que tudo que eu fazia era inútil e sem sentido, e conquistar ela se tornou minha prioridade. Eu queria ela, precisava dela ao meu lado.

E não foi difícil, pois a atração entre nós foi imediata e recíproca. Trocamos alguns olhares, fomos formalmente apresentados e, em alguns dias, com um grande evento no topo do maior arranha-céu da cidade, envolvendo helicóptero e várias pétalas de rosas, pedi-a em namoro, e com um largo e feliz sorriso ela aceitou.

Nossa relação logo se tornou firme. Ela era doce, meiga, amável, gentil e simpática, totalmente o meu oposto. Talvez por isso ela me cativava tanto, por completar o que faltava em mim. Então, em um ano de namoro, tomei a decisão de pedi-la em casamento. Eu já havia comentado com ela o meu desejo de torná-la minha esposa, a senhora Franconi.

E escolhi o dia do aniversário dela para isso. Já tinha reservado o salão no melhor hotel da cidade e contratado a melhor equipe de organização de eventos, pois seria uma dupla celebração: o aniversário dela e o começo de uma nova fase da nossa vida.

Entrei no carro, já arrumado em um terno branco, e olhei meu reflexo no retrovisor.

—Como estou? — perguntei ao meu assistente, que estava ao volante. Ele me olhou de forma estranha, provavelmente porque eu nunca havia feito aquela pergunta antes.

—Está elegante como sempre, senhor. A senhorita Vivianne ficará encantada com a festa que o senhor preparou e com o pedido —

Esbocei um leve sorriso, algo que somente Vivianne conseguia tirar de mim.

Sim, ela com certeza adoraria aquela surpresa.

Em alguns minutos, chegamos ao hotel. Saí do carro e segui com passos largos e apressados para o salão.

Todos os convidados já estavam lá. Tive a ajuda de sua mãe e pai, que eram a favor da nossa união matrimonial, até porque, unir as duas famílias seria muito vantajoso para ambos, principalmente para a deles.

Mas o que realmente importava era que eu e Vivianne nos amávamos, e logo seríamos marido e mulher.

Alguns minutos se passaram, mas Viviane não aparecia. Então fui falar com a mãe dela.

—Onde ela está? — perguntei apreensivo.

—Ela... deve estar chegando — respondeu, nervosa.

Peguei o celular e novamente tentei ligar para ela, mas o número não chamava. Fiz a mãe ligar, mas a informação foi a mesma, e ela começou a suar, parecendo ainda mais nervosa, o que apenas me deixou mais inquieto.

—O que está acontecendo? Onde ela está? Fale! — exigi em tom autoritário.

Alguns convidados já começavam a cochichar, reclamando da demora e sentindo a tensão entre nós.

—B-bom, ela... —

Antes que a mulher pudesse falar, uma moça se aproximou, e a identifiquei como a melhor amiga de Vivianne. Mas por que Viviane não estava com ela?

Ela se aproximou, hesitante, quase tremendo, como se caminhasse para a própria morte. Então, sem me encarar nos olhos, estendeu um envelope na minha direção.

O papel tinha a letra bonita e perfeita de Viviane, assim como seu cheiro suave e fresco que sempre me acalmava. Mas não daquela vez.

Peguei o envelope e o abri com movimentos rápidos, mas controlados, e logo meus olhos caíram sobre as palavras escritas à mão:

"Dante, me desculpe, mas eu tive que ir."

Apertei o papel com força, sentindo todo meu corpo tremer.

"Eu amo você, e você sabe disso. Mas eu sei o que você está planejando, a minha mãe me contou, mas eu... eu não posso fazer isso, não posso me casar com você, não agora. Eu tenho sonhos e quero vivê-los. Fui criada nessa família rígida, sob rédeas curtas, e nunca pude ser eu mesma. Eu já estava decidida a ir embora e procurar meu caminho, mas então conheci você, e naquele momento foi como se já tivesse encontrado o meu caminho. Mas quando fui conhecendo você, vi que você é igual aos meus pais: controlador, dominador, e que jamais me deixaria seguir meu próprio caminho. Eu vou seguir o meu sonho, passei na universidade de eu tanto desejava, e poderei estudar, me formar e ter a minha carreira, minha vida própria, a vida que eu escolhi para mim.

Eu amo você. Mas não estou disposta a deixar de ser a filha dos Montclair para ser a esposa de Dante Franconi, eu quero ser apenas a Viviane, conhecida por meus próprios méritos. Então, me desculpe, mas eu tive de ir.

Espero que me perdoe, e sei que é pedir muito, mas espero que possa me entender e me esperar. Mas agora eu preciso me descobrir e viver minha própria vida.

Para o meu eterno amado,

Vivianne"

Sem que eu me desse conta, o papel já estava amassado em meus dedos antes mesmo de terminar de ler a carta.

Senti meus olhos arderem, meu peito queimar com uma dor dilacerante, e parecia que eu estava perdendo algo que eu sempre tive: controle.

Olhei para as pessoas ao redor, e parecia que todos percebiam o que estava acontecendo ali.

Diante de todos aqueles olhares, me senti humilhado, fraco, abandonado, inútil e descartável, como se todo meu amor e devoção a ela nunca tivessem significado nada.

Aquilo não feriu apenas o meu orgulho, mas a minha alma também, e destruiu meu coração.

Mantive a compostura, dobrei o papel e o enfiei no bolso.

—É da Vivianne? O que ela disse? — a mãe de Viviane perguntou, preocupada.

Apenas lancei um olhar gelado para ela, o suficiente para calá-la e fazê-la recuar. Logo olhei para a amiga de Vivianne, que estava do mesmo jeito.

Minha vontade era interrogar ela ali, mas tive de manter a minha imagem. Não podia parecer um louco na frente de todos.

—Me acompanhe — ordenei, e fui na frente, diante de todos os olhares curiosos e sussurros.

Entrei no carro, e ela também entrou, mantendo a cabeça baixa.

—Diga, onde ela está? —

A garota se encolheu somente com meu tom de voz. Eu estava sem paciência e me contendo para não explodir.

—E-ela... Ela foi viajar, mas não me disse para onde, eu juro! —

—Que meio ela usou? — voltei a perguntar, sem tirar o olhar da frente.

—Eu vi uma passagem de avião, mas não consegui ver o destino. Senhor Franconi, ela o ama, ela apenas...

—Saia — ordenei, e logo a porta foi aberta do lado de fora.

Ela saiu sem contestar. Logo peguei meu celular do bolso do paletó e cliquei no contato.

—Feche todos os aeroportos da cidade. Nenhum avião decolará sem a minha permissão! 

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