Mundo ficciónIniciar sesiónOs olhos dele se ergueram lentamente… e travaram nos meus.
Nós encaramos, em silêncio, mas nenhum de nós desviou o olhar. Senti um frio no meu estômago e cerrei os punhos. Claro, só podia ser ele. De todas as pessoas naquele maldito lugar, tinha de ser justo ele, me vendo vestida daquela forma e sendo empurrada para o servir como uma empregada. Suspirei internamente, mantendo minha postura, e me virei, decidida a não ficar ali e sofrer mais uma humilhação, mas antes que pudesse dar um passo em direção à saída, a voz dele soou grave e quase arrastada, preenchendo todo o lugar. — Vai me servir… ou só vai ficar aí parada? — Continuei parada por um instante, sentindo uma raiva descomunal subir por meu corpo, e me virei, o encarando séria, e ele não estava com um olhar diferente. Os olhos escuros dele percorreram meu corpo de cima a baixo, lentamente, sem pressa, como se analisasse uma peça de leilão. E aquilo me queimou mais do que qualquer insulto. Com a expressão neutra, ele abanou o copo vazio, fazendo um gesto para que eu o servisse, e esse gesto me deixou mais irritada. Endireitei a postura, sustentando o olhar dele de forma firme. — Eu não estou aqui para o servir, se quiser algo, pegue você mesmo — Ele levantou uma sobrancelha, e um canto da boca dele se ergueu, mas não era um sorriso. Era quase… provocação. — Não é o que parece — ele passou os olhos novamente por meu uniforme. — Então é realmente verdade... os Fuentes chegaram ao fim do poço, ao ponto de reduzirem a preciosa filha deles... a isso. Cada palavra dita por ele foi como um tapa, que me fez lembrar das palavras dos meus "amigos", mas, por alguma razão, ouvir aquilo vindo dele me irritava mais que qualquer pessoa. Mas eu não recuei. Não na frente dele. Podia quebrar na frente de todos, mas não diante dele. Dei alguns passos à frente, mantendo a cabeça erguida. — E você? — retruquei, fria. — Pelos vistos, mesmo tendo toda fortuna, ainda precisa pagar para ter atenção feminina. Mas, ao que parece... — Olhei a volta, na imensa sala vazia. —Nem o seu dinheiro consegue resolver esse seu problema, já que está sozinho nessa sala, o que foi? As suas "acompanhantes" fugiram de você? O olhar dele escureceu imediatamente, de uma forma que me fez hesitar, mas me mantive firme e Levantei o queixo, o desafiando. Se ele queria me humilhar, ia descobrir que eu não era tão fácil de quebrar. Dante se levantou, devagar. Sentia meu coração acelerar a cada passo que ele dava em minha direção, mas forçei meu corpo a não recuar. Ele se aproximou até parar a poucos passos de mim. Perto demais, quase invadindo meu espaço pessoal. O cheiro dele era forte, marcante, e logo invadiu meus sentidos sem permissão. Meu corpo reagiu antes que eu pudesse impedir e quase cedeu diante de sua presença imponente, mas me mantive no lugar e ergui a cabeça, o encarando. Não daria a ele o gosto de me ver de cabeça baixa. Ele olhou para mim, para minha postura, e soltou uma risada seca, sem humor, como um leão que via um ratinho o desafiar. — Realmente, sua arrogância e orgulho é tal como dizem. Mas agora... — ele deu mais um passo e se inclinou, deixando nossos rostos a escassos centímetros de distância, quase me sufocando com sua presença, logo senti seu hálito quente de uísque misturado ao perfume dele, o suficiente para me fazer engolir em seco. —Agora você não está em posição de falar assim comigo, Evelyn Fuentes. Senti meu coração acelerar. De raiva. — Não importa qual seja a minha posição, eu ainda sou uma Fuentes e, com certeza, não vou me curvar nem servir um Franconi, então tire essa ideia delirante de sua cabeça, Dante Franconi — rebati, o encarando de perto. O silêncio que se seguiu foi denso, e podíamos ouvir apenas a respiração um do outro, nenhum dos dois querendo recuar. Meu peito subia e descia, denunciando meu nervosismo, e os olhos dele desceram, percebendo esse movimento. O canto de seus lábios se curvou levemente, como se debochasse da minha tentativa de bravata. — Então, para que se vestiu assim e veio até aqui, se não para me servir? senhorita Waitress. — Apertei os punhos e cerrei os dentes. — O que eu faço ou porque o faça, não é assunto seu. arranje outra pessoa para o servir — Antes que meu corpo me denunciasse mais, me virei para sair da sala, mas meu braço foi segurado por ele, de forma firme mas sem usar força, me mantendo no lugar. Me voltei para ele, encontrando sua expressão séria e indecifrável sobre mim. Seu olhar estava profundo, como se quisesse dizer algo, e por alguma razão, eu parei, esperando ele dizer, mas nada veio. Ele soltou meu braço e voltamos a nos encarar. Me repreendi mentalmente por ainda estar ali. me virei, abri a porta e saí da sala, fazendo questão de bater a porta. Parei no corredor e me encostei à parede, levando a mão até meu peito, tentando acalmar meu coração que batia acelerado, e minhas pernas que tremiam. Não sei por que ele tinha me deixado tão nervosa, muito mais que Vítor e Adelina juntos. Fechei os olhos e suspirei, recuperando a postura. Eu só queria que aquela noite infernal terminasse logo. Caminhei em direção a outra sala, querendo pôr um fim breve naquilo tudo. Assim que entrei novamente na sala, todos me olharam e soltaram risos, enquanto sacavam seus celulares, tirando fotos e vídeos. Ignorei tudo aquilo e me aproximei da mesa principal, onde estavam Vítor e Adelina. — Uau, Evelyn, essa roupa foi feita para você! — April falou em tom de deboche, imitando quando íamos às compras. — Realmente, afinal, esse seria o seu destino se você não tivesse roubado o meu lugar — Adelina cuspiu, me encarando com um ar de superioridade. — Hey, garçonete! Traga uma bebida aqui! — chamou um dos rapazes da outra mesa. — Calminha. Todos terão sua vez, mas nós teremos a honra de ser os primeiros a sermos servidos pela Evelyn Fuentes — Adelina sorriu, abraçando o braço de Vítor. — Amor, o que acha de um Frangelico para começar? É o seu favorito, certo? — Adelina disse, girando o copo entre os dedos e sorrindo de forma perversa para mim. Não dei atenção àquilo e logo fui pegar a bebida no balcão. Voltei para a mesa e pousei a garrafa. — O que está esperando? Sirva! — Adelina ordenou, apontando o copo com a cabeça. A encarei com raiva, mas não podia fazer nada, peguei a garrafa e servi numa quantidade aceitável para o tipo de bebida, mas antes que pudesse a pousar de volta, ouvi a voz dela novamente. — Continue, encha todo o copo — Olhei para ela, achando estranho, mas não contestei, continuei servindo e enchi o copo quase até a borda e pousei a garrafa. — Agora... — Adelina tirou um sorriso perverso, inclinando-se para frente. — Beba! — — O quê? — Perguntei olhando para ela, depois para o copo, para a garrafa, para o rótulo. E finalmente percebi o que ela realmente pretendia com tudo aquilo. Aquele licor era feito de avelãs, e eu era extremamente alérgica a avelãs. Ela não queriam apenas a minha ruína, queriam a minha morte.






