Mundo de ficçãoIniciar sessãoEstava tomando café da manhã, quando recebi uma mensagem de Ana. Pedia para que eu ligasse para ela. Achei estranho, então fiz a chamada.
- Alô amiga. Podemos nos encontrar? Preciso falar com você. - Alô! Claro, mas você está bem? - Estou sim. Falamos quando estivermos juntas. Pode ser agora? - Estou terminando meu café da manhã. Depois vou me vestir e vou encontrar você. - Estou esperando no Café Azul, na esquina da minha rua. - Eu vou até aí. Até já. O que será que estava acontecendo? Estranhei o encontro tão repentino. Me apressei o máximo que consegui e saí para encontrá-la. - Oi. - dei um beijo na testa dela. - Como você está? - Oi. Na verdade, estou um pouco preocupada. - ela baixou bastante o tom de voz. - O que aconteceu? - senti-me imediatamente alarmada. - Adriana desapareceu. - olhou para mim. Lágrimas começaram a se formar em seus olhos. - Desapareceu como? - Ela não atendeu o celular durante dois dias, então fui até a casa dela. - A mãe abriu a porta e estava chorando. Me contou que a filha tinha sido levada. - Levada? Mas como assim? Por quem? - minha preocupação aumentava cada vez mais. - Aqui não. Vamos sair. - Ela se levantou para pagar, e fomos para uma rua transversal. - Por favor, Ana. Me explica melhor essa história. - Ela foi levada por alguém do governo. - Mas por qual motivo? - assim que fiz essa pergunta, lembrei-me da reação de meu pai quando contei o que tinha acontecido no restaurante três semanas atrás. - Ela desrespeitou uma regra, lembra? - olhou para os dois lados da rua, certificando-se de que ninguém estava nos ouvindo. - E o que vai acontecer com ela? - Ninguém fala sobre o assunto. Não se sabe o que acontece. Nem é conveniente questionar. - Não. Isso não está certo. Vou perguntar ao meu pai. Acho que ele sabe de alguma coisa. Quando contei para ele o que tinha acontecido, ele ficou preocupado demais. - Ele deve apenas saber que as pessoas desaparecem. - Ela vai voltar? - Eu não sei. Espero que sim. - Nós nos abraçamos e choramos durante algum tempo. - E Vitória, já sabe disso? - Ainda não. Liguei para você primeiro. Mas penso que ela já foi para sua casa com o bebê. Passamos o resto do dia juntas. Faltava alguma coisa. Sabia que Ana sentia exatamente o mesmo, mas nenhuma de nós tocou mais no assunto. Papai me ligou perguntando se eu queria ir ter com ele perto de seu trabalho. Não estava com muita disposição, mas aceitei. - Oi Mel, minha filha. O que você andou fazendo hoje? - Assim que cheguei, ele notou que alguma coisa não estava bem. - Estive com a Ana. Ela foi à casa de Adriana porque ela não atendia o celular. - A expressão dele mudou imediatamente. Claramente ficou nervoso. - Então, ela está doente? - Não, papai. Ela foi levada. - Mel, podemos trocar de assunto? Como está meu neto? Um pouquinho maior hoje? - Eu quero falar sobre isso. Preciso fazer uma pergunta para você. - Filha… em casa. - pousou a mão sobre a minha e olhou nos meus olhos, como se quisesse que eu entendesse. - Está bem. - Vocês já escolheram o nome ou já conversaram sobre o assunto? - Eu pedi ao Renato para colocarmos Valen. Ele disse que ia pensar. - Bonito nome! Você tem que explorar mais o monitor, Mel. - Vou fazer isso hoje. Eu estava ansiosa para poder conversar com ele sobre Adriana. Assim que chegamos em casa, sentei-me no sofá, esperando que ele começasse o assunto. Em vez disso, ele foi para o quarto tomar banho. Pareceu-me que estava tentando adiar. - Você não vai se refrescar? - Pai, por favor! Você sabe que temos uma conversa pendente. Ele suspirou e se sentou à minha frente. - É verdade. Eu sabia que algo assim iria acontecer. O que você quer saber? - Primeiro, quero saber se você já conheceu alguém que quebrou alguma regra. Não respondeu imediatamente. Pensou bastante antes de falar. - Sim, eu conheci… - Quem? - Uma pessoa. Não interessa… você nem conhece. - ele estava muito na defensiva. - O que aconteceu? - A pessoa quebrou uma regra e também foi levada. - Você viu isso acontecer? - Vi, sim. Foi bem na minha frente. - E depois? Voltou? Correu tudo bem? O que aconteceu com ela? - Minha filha, tenha calma. Ninguém sabe o que acontece ou o que fazem com as pessoas que são castigadas. Quando elas voltam, nem se lembram. Mas nunca mais quebram regras. Isso eu posso garantir para você. Sua amiga vai voltar. É só algo temporário. Senti que ele estava escondendo alguma coisa. Não insisti. Eu o conhecia bem. Ele não ia contar. Fui para o meu quarto e recebi uma mensagem de Vitória. Ela me pediu para que contasse quando soubesse alguma coisa sobre Adriana. Ela já estava instalada em sua nova casa e não podia vir se encontrar conosco. Tirei o monitor da gaveta e observei meu filho. Ele estava flutuando. Iniciei a exploração do aparelho. Tinha seu IC, seu peso e seu tamanho. Reparei que tinha aumentado mais um centímetro desde o dia anterior. Entrei no chat com Renato e decidi enviar uma mensagem para ele. - Boa noite. Espero que você esteja bem. Você já pensou no nome do bebê? Esperei dez minutos, até que ele respondeu. - Boa noite. Sim, eu pensei. Sinceramente, quanto mais penso no nome Valen, mais gosto dele. - É sério? Fico muito feliz. Então vai ser esse o nome dele? - Sim. - Muito obrigada, Renato. Isso significa muito para mim. - Eu sei. Meu celular recebeu uma nova mensagem. Muito estranho. Não tinha nenhum número nem registro. Apenas o texto: “Cuidado com o que você procura…”






