Sabia que esse dia chegaria. Isso nunca o tornou mais fácil. As cadeiras da sala de espera estavam ocupadas por mulheres, cujos olhos brilhavam como se estivessem prestes a realizar o maior sonho de suas vidas. Olhei ao meu redor. Os sorrisos eram contagiantes. Algumas mulheres trocavam olhares cúmplices, outras não conseguiam ficar paradas na cadeira. A ansiedade parecia ocupar cada canto daquela sala. Perguntava-me se existia alguém que odiasse essa lei tanto quanto eu, mas, pelo que observava, era a única. Acomodei-me melhor na cadeira e soltei um suspiro. Apertei minhas mãos trêmulas e suadas, uma contra a outra, enquanto esperava a minha vez. Não me saía da cabeça que, dali a alguns meses, minha vida deixaria de me pertencer. Olhei para a porta, quando uma enfermeira sorridente apareceu chamando uma das mulheres sentadas ao meu lado. Ela se levantou de um salto, como se a cadeira tivesse molas. Vi a porta se fechando atrás dela. Lá dentro, ninguém ia me perguntar o que eu que
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