Clara me mandou o número da sala onde trabalhava e eu fui até lá como quem vai até um porto seguro. A sede da Novak era um monstro de vidro e metal, mas o andar onde Clara ficava tinha um ar mais humano: mesas juntas, gente falando baixo, alguém rindo em algum canto, um cheiro de café que não era de máquina milionária — era de gente.
Clara estava numa mesa, com duas telas abertas e uma cara de “eu prometi que ia entregar isso ontem”.
— Mareu! — ela sussurrou, levantando só o olhar. — Eu tô terminando uma coisa. Cinco minutos e a gente almoça.
Eu me joguei na cadeira ao lado dela, olhando ao redor.
— Isso aqui é… normal — eu murmurei, como se tivesse acabado de descobrir uma espécie rara.
Clara riu sem tirar os olhos da tela.
— Bem-vinda ao mundo onde as pessoas têm chefe, boleto e crise de Excel.
Eu observei os colegas dela: ninguém me olhando como “a babá”. Ninguém sabendo que eu tinha acabado de virar CLT por desespero e com ajuda de uma criança. Era só… uma sala. Um lugar.
— Deu tu