~ LOGAN ~
Eu estava no escritório antes do prédio inteiro lembrar que existia.
Aquela hora em que o ar-condicionado ainda não decidiu se vai congelar ou só humilhar, em que os corredores têm cheiro de café recém passado, e em que ninguém ousa falar alto porque as paredes de vidro fazem parecer que tudo é audiência.
Eu gosto desse horário por um motivo simples: ele obedece.
As folhas estavam alinhadas na minha mesa como um exército: relatórios, aprovações, contratos, uma proposta de parceria com números grandes o suficiente para virar manchete — e pequenos o suficiente para virar problema se alguém respirasse errado. Eu riscava, assinava, organizava. Eu não pensava.
A porta abriu sem que batesse.
Eu não levantei a cabeça. Não precisei.
Só uma pessoa entrava no meu escritório assim.
Henrique Alencar atravessou a sala e se jogou na poltrona à minha frente do jeito mais ofensivo possível para um ambiente que custava caríssimo por metro quadrado.
— Acabei de ver a tal babá chegando pra pas