Capítulo 22

Eu corri pro meu quarto como se o corredor da mansão tivesse câmeras e Logan Novak fosse o tipo de homem que demite por telepatia. Fechei a porta e encostei as costas nela, respirando como se eu tivesse acabado de fugir de um crime.

“Passe na sede da Novak. Leve seus documentos. Vou efetivar você.”

Meu coração ainda estava naquela parte boa.

“E a sua carteira de trabalho.”

Meu coração morreu ali mesmo.

Eu puxei o celular com a urgência de alguém que acabou de descobrir que existe prova surpresa na segunda-feira. Clara. Clara precisava existir no mundo exatamente pra momentos como esse.

Liguei.

E quando ela atendeu eu despejei tudo de uma vez, atropelando as palavras.

— Mareu? — a voz dela veio com sono e desconfiança. — Você matou alguém?

— Pior. Eu preciso de uma carteira de trabalho.

Silêncio do outro lado.

— …uma o quê?

— Uma carteira. De trabalho — repeti, mais devagar, como se fosse o nome de um animal raro. — Pra amanhã. Com urgência.

Clara soltou um som estranho que eu demorei
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