93. Milagre
Lúcia Mendes
Eu não lembro como fechei a porta, nem como desci as escadas. Só lembro de apertar a chave com tanta força que meus dedos ficaram brancos. O telefone tinha caído. A voz da Olívia ainda ecoava: “Vem rápido.”
A rua parecia mais comprida do que de costume. Entrei no uber sem pensar. Só um mantra martelando junto com o coração: “Por favor, não. Por favor, não.”
Quando cheguei ao hospital, não parei na recepção. Fui direto, como se meus pés soubessem o caminho sozinhos. Corredor, elevad