Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlice
Primeira coisa sobre ele. O homem é lindo. O homem mais lindo que já vi na minha vida. O rosto, de um tom naturalmente bronzeado, é perfeitamente esculpido por traços firmes e marcantes. Começando com a mandíbula firme e afiada, os lábios retos e bem delineados, e terminando no maxilar bem marcado, sombreado por uma curta barba escura, conferindo-lhe uma beleza tão masculina quanto imponente. E então, há aqueles olhos. Azuis escuros como o oceano, tão profundos e intensos que parecem enxergar muito mais do que deveriam. Há poder neles. Autoridade. É aquele tipo de olhar que não pede atenção — simplesmente domina. Segunda coisa sobre ele. Parece que não gostou do que viu. Ou seja, eu. O que não faz o menor sentido, uma vez que me viu nas fotos e pela câmera há minutos. E, mesmo assim, continuou com isso. Sem falar todo aquele circo territorial de não querer que nenhum homem me visse de lingerie e, depois, nesse vestido indecente. Por que eu acho que ele não gostou do que viu? Pelo jeito que apertou os lábios numa linha dura e resmungou baixinho o que, pela expressão também dura, foi um xingamento, assim que seus olhos oceânicos passaram por mim, dos pés à cabeça. Oh, meu Deus. Isso está ficando cada vez mais estranho. — Srta. Collins. — Ele diz e se aproxima, sua voz rouca e profunda causando-me arrepios na pele. Ele é tão alto que, comparado aos meus sessenta e cinco centímetros de altura, pareço um ser mignon em sua presença poderosa e intimidante. — Sou Liam Kingston. — Ele estende a mão. — Alice Collins. Mas você já sabe disso. — Forçando um sorriso, pego a mão dele, que aperta e solta rapidamente, e começa a tirar o paletó. Está usando uma camisa preta com dois botões abertos, o que permite uma pequena exposição do peito forte. Espera aí.... Por que ele já está se despindo, senhor? — O… que o senhor está fazendo? Não vou entregar minha virgindade sem receber meu dinheiro antes. — Digo, com determinação e firmeza, apesar de não ter soado desse jeito e minhas bochechas estarem pegando fogo. — Quero saber quanto está disposto a pagar. Se eu concordar com o valor, você me paga e só então acabamos com isso de uma vez. É isso aí. Se é para bancar a prostituta, vamos fazer isso direito, certo? Ele segura o paletó, enquanto seus olhos oceânicos, agora frios como uma nevasca, me encaram. Então, ele inspira fundo. — Não se preocupe com isso, Srta. Collins. Não tenho nenhum interesse em sua virgindade. Não está aqui para isso. — Ele diz e me estende o paletó para mim — Vista, está frio aqui. Não sei onde meu amigo colocou o controle do ar. Eu pisco e, então, pisco de novo. Ele disse mesmo que não quer minha virgindade? Se não é para isso que estou aqui… O que ele quer de mim, então? — Saia do transe, Srta. Collins. E, sim, eu falei sério. Não estou interessado em sua virgindade — Ele repete, calmo e friamente. — Eu… não entendo… — Digo, me perguntando que tipo de jogo sexual estranho para caramba esse homem está jogando. Ele pode não querer minha virgindade. Mas, com certeza, quer fazer outras coisas comigo. Sexo oral… anal… me amarrar… surrar. Oh, meu Deus. Só pode ser isso. De jeito nenhum para todas elas. — Srta. Collins, acalme-se. — Ele diz, seu tom calmo, mas cada palavra carregada de autoridade. — Não é nada relacionado… — Que tipo de fetiche é esse? — Eu o interrompo e seguro minha bolsa na frente do meu corpo, pronta para abri-la, pegar o spray de pimenta e colocar um pouco de fogo nesses lindos olhos oceânicos e gélidos se for necessário. Ele ergue as sobrancelhas escuras. — Fetiche? — Ele repete, como se a estranha aqui fosse eu. Engulo em seco. — Sim, fetiche, fantasia. Ou seja lá como o senhor chama isso. Ou, melhor, o que pensa que vai fazer comigo. — Srta. Collins. Você ouviu a parte… — Veja bem, senhor Kingston. —Eu o interrompo. — Seja lá qual for o tipo de jogo, eu não vou jogar. Vim a esse lugar apenas para vender minha virgindade e conseguir dinheiro para a cirurgia da minha irmã. E o único tipo de sexo com o qual concordei é o normal. Mas, como acabou de dizer que não está interessado em minha virgindade, isso significa que está interessado em outras coisas. Como em sexo anal. De jeito nenhum, senhor Kingston. Também… — Srta. Collins. — Meu nome sai da boca dele como outro grunhido, e seu belo rosto se torna uma máscara dura, um sinal para eu parar por aqui. Mas nem vem. Quero deixar tudo muito claro. É pegar ou largar. E eu realmente espero que ele desista de mim porque…caramba. O homem é lindo demais, mas é muito estranho. — Por favor, me deixe terminar. Preciso deixar meus limites muito bem explicados para não haver mal-entendidos. — Sem esperar uma resposta, continuo: — Como estava dizendo: não para sexo anal. Não para qualquer fetiche estranho. A minha vagina é a única coisa que estou oferecendo. Quer dizer, tudo bem para sexo o oral. Mas é só isso. Ele resmunga alguma coisa que não entendo e, em seguida, diz meu nome num grunhido, mas não deixo que ele me interrompa mais que isso e vou em frente: — Então, senhor Kingston, diga logo se isso o interessa ou não, para que eu possa voltar a ficar disponível para leilão. — Minha respiração está tão rápida quando termino, e meu rosto está em chamas. — Terminou, Srta. Collins? — Sua voz é tão autoritária que chego a estremecer, mas rapidamente recupero o controle. — Sim, terminei. A menos que não tenha ficado claro para o senhor. Ele inspira fundo. — Pode ter certeza de que ficou muito claro . — Que bom. E sinto muito se te ofendi com a coisa do fetiche. Não foi minha intenção. Não tenho nada contra, eu só não curto essas coisas. — Não me ofendeu. Mas estou curioso. — Franze as sobrancelhas num gesto severo. — Você é sempre tão impulsiva com as palavras quando está nervosa, Srta. Collins? — Ele pergunta num tom crítico. — Ou isso é algo exclusivo desta situação? E nem vou mencionar sua admirável capacidade de criar teorias malucas. E não ser capaz de mantê-las pra si mesma. Não acredito que estou ouvindo isso. — Impulsiva por esclarecer meus limites? Com o que estou e não estou de acordo? — Deixo uma risada irritada escapar — Não. Impulsiva por tirar conclusões antes mesmo de me deixar terminar uma frase. — Seus olhos permanecem fixos nos meus. — Você estava tão ocupada tentando adivinhar minhas intenções que não se deu ao trabalho de ouvir o que eu realmente disse. Abro a boca num “O “ com a arrogância desse homem. — Se tivesse me escutado e não me interrompido a cada duas palavras, talvez não tivesse sido necessário esse surto, srta Collins —Inspira fundo. Surto? Ele acabou de me chamar de louca ? — Mas tenho que admitir que tive uma pequena parcela de culpa. Fui vago quando deveria ter sido claro. Eu deveria ter dito desde o início que não estava interessado em sexo com você. Então, por essa parte, eu me desculpo. — O quê? Como assim? Que... — Por favor, Srta. Collins. Não me interrompa. Engulo em seco e assinto. — Tudo isso foi porque eu disse que não estava interessado em sua virgindade. Quando deveria ter dito logo que não estava interessado em sexo com você. — Seus olhos oceânicos me encaram profundamente. —Nenhum tipo de sexo, Srta. Collins. —Sua voz é tão fria e dura que não deixa espaço para dúvidas. Arregalo os olhos. Quando acho que não pode ficar mais estranho, vem isso. — O que quero com você é estritamente profissional.— Ele continua. — Quer me oferecer um emprego ? — Franzo a testa. — Basicamente sim considerando que vou te pagar por isso. Puta merda. Por essa não esperava. — Certo. E de que tipo de emprego estamos falando, afinal ? — Pergunto. —Quero que seja minha esposa de conveniência por um ano, Srta Collins. Ou para um melhor entendimento, esposa de fachada. — O… quê? Isso não pode ser real.






