Contratada para casar com um bilionário
Contratada para casar com um bilionário
Por: Evelyn Loren
Um

Alice Collins

Há três semanas, se alguém me dissesse que eu poderia ganhar uma pequena fortuna vendendo minha virgindade, eu teria rido da ideia. Parecia absurda demais para existir.

Até que o problema renal da minha irmãzinha, Sarah, de cinco anos, que ela carrega desde que nasceu, piorou, e a única maneira de salvar seu rim é por meio de uma cirurgia caríssima.

O problema é que minha irmã Lizzie e eu não tínhamos esse dinheiro e nem ninguém para pedir emprestado. Até temos uma parente que é rica.

Ela é a tia Dolores, irmã da nossa mãe. Mas ela se mudou para o Texas dois meses após o enterro da minha mãe e nunca mais a vimos.

Tentamos encontrá-la.

Ou, pelo menos, tentamos falar com ela.

Lizzie e eu ligamos e mandamos mensagens várias vezes, principalmente quando as coisas começaram a ficar mais difíceis. Mas as ligações sempre caíam na caixa postal, e nossas mensagens nunca foram respondidas.

Às vezes, chego a pensar que ela trocou de número de telefone de propósito.

Enfim, desde que perdemos nossa mãe, somos apenas nós três.

Lizzie, Sarah e eu.

E quando se tem uma irmãzinha de cinco anos dependendo de você, você aprende rapidamente que não pode se dar ao luxo de desistir.

Foi por isso que, após o médico nós dar a notícia que Sarah precisa da cirurgia com urgência,

percebi que a única coisa de valor que eu tinha para vender, capaz de conseguir o dinheiro necessário, era a minha virgindade.

É por isso que agora me encontro aqui, no vestiário de um luxuoso clube de sexo, apenas de lingerie e salto alto, esperando minha vez de subir ao palco para leiloar minha virgindade.

Cinco mulheres já foram leiloadas.

Cinco mulheres que saíram daqui para o palco e não voltaram.

Isso porque o clube possui suítes para os clientes que preferem ficar por aqui mesmo. A quinta mulher da noite está no palco agora.

E a sexta e última da noite sou eu.

A última e a única virgem da noite.

Na verdade, Adélia, a gerente, disse que sou a única virgem que já pisou neste lugar. O que, segundo ela, sou uma jóia e isso me renderá muito dinheiro.

Algo em torno de trezentos a quatrocentos mil dólares.

Simplesmente por ser virgem.

Se eu ganhar isso mesmo, mesmo que o clube fique com trinta por cento, como combinado, ainda assim será o suficiente para pagar a cirurgia e os retornos médicos, além dos medicamentos por bastante tempo.

Encontrei este lugar por acaso.

Quer dizer... não encontrei. Fui indicada.

Quem me indicou foi o dono de uma boate de striptease, uma das várias que visitei na tentativa desesperada de vender minha virgindade. Passei por boates de prostituição também e, em todas, bastava eu dizer o valor que pretendia ganhar para os donos caírem na risada.

Os comentários mais educados que ouvi foram que eu era maluca por achar que alguém pagaria duzentos mil dólares pela minha virgindade.

Acreditem, ouvi cada coisa humilhante e vergonhosa que, só de lembrar, sinto um misto de vergonha, raiva e humilhação.

Mas o homem que me indicou este clube foi diferente.

Ele não riu.

Não debochou.

Apenas me ouviu em silêncio e, quando terminei, disse que não fazia negócios com virgens, mas conhecia um lugar que fazia.

Então pegou um pedaço de papel, anotou um endereço, estendeu para mim e disse:

— Diga que foi Dominik quem te enviou.

Se ele não parecesse tão sério e intimidante, provavelmente eu o teria abraçado de tão grata e aliviada que fiquei.

Em vez disso, apenas agradeci.

O endereço me trouxe a esse clube, — uma mansão de três andares protegida por enormes muros, portões discretos e um sistema de segurança que faria qualquer pessoa pensar duas vezes antes de tentar entrar sem autorização.

E também não há nenhuma indicação de que existe um clube de sexo por trás dos muros.

Não há letreiro.

Nenhuma placa.

Nenhuma indicação do que acontece aqui.

E é exatamente essa a intenção.

Antes mesmo de ser aceita, precisei fazer algumas coisas.

Como exames médicos que comprovaram que eu não tinha nenhuma doença sexualmente transmissível, teste da minha virgindade, fotos, que para minha surpresa, e alívio não foi nua ou de lingerie, e sim com um vestido. Curto, justo e bem decotado, mas ainda assim vestida.

E por último, assinar um termo de confidencialidade que deixava uma coisa muito clara: tudo o que acontecesse no clube tinha que permanecer no clube.

Meu silêncio não era uma recomendação.

Era uma obrigação.

Eu não poderia revelar nomes ou qualquer informação sobre os clientes. Muito menos a identidade do homem que me comprasse.

Tudo isso para proteger a identidade dos sócios do clube.

Segundo o que ouvi de uma das garotas, entre eles estão alguns dos homens mais ricos, influentes e poderosos dos Estados Unidos.

Homens acostumados a comprar silêncio junto com praticamente tudo o que o dinheiro pudesse proporcionar.

Gente que definitivamente não gostaria de ver o próprio nome estampado nas páginas dos jornais relacionado àquele lugar.

E então, depois de tudo isso, fui colocada no leilão desta noite.

A voz do apresentador silencia.

E meu coração dispara.

Logo o segurança estará aqui para me buscar.

Antes de seguir pelo caminho mais assustador da minha vida, caminho até o enorme espelho para conferir se meu velho hábito de morder os lábios não acabou com o batom.

Não acabou.

Mas o batom é o menor dos meus problemas.

O verdadeiro problema me encara do outro lado do espelho.

Meus olhos azuis, que tantas vezes disseram ser expressivos, denunciam exatamente o que tento esconder.

Medo.

Em vez de uma mulher sexy e decidida, vejo apenas um gato assustado prestes a fugir.

E isso é um desastre.

Adélia deixou bem claro que clientes como os deste clube não querem a sensação de estar forçando uma mulher. Eles querem acreditar que ela escolheu estar ali.

Se eu subir naquele palco parecendo apavorada, talvez ninguém faça um lance.

Então, tenho apenas duas opções: convencer aqueles homens de que estou exatamente onde quero estar... ou estragar tudo.

Respiro fundo, abro a bolsa e pego o batom vermelho-cereja que comprei especialmente para esta noite. Passo uma camada generosa sobre os lábios, como se um tom mais intenso pudesse esconder o medo estampado no meu rosto.

Faço o mesmo com o rímel.

Melhorou um pouco.

Mas não o suficiente para esconder a expressão de um gato assustado refletida no espelho.

“É só focar no motivo que te trouxe aqui. É isso que vai te dar a coragem de que tanto precisa.”

Digo a mim mesma.

E é isso que faço.

Penso em Sarah.

Penso no rostinho sorridente dela naquele dia no hospital, feliz com o brinquedo que dei a ela, totalmente alheia ao que acontecia ao seu redor enquanto o médico explicava a gravidade de sua condição.

E funciona.

A coragem revive dentro de mim, forte e determinada, como uma leoa protegendo o que é mais importante para ela.

É isso.

Estou pronta.

Daqui a alguns minutos, estarei diante de um grupo de homens ricos e poderosos para vender minha virgindade.

Não importa o quanto isso seja assustador.

Não importa o que eu precise enfrentar.

Não sairei daqui sem o dinheiro para a cirurgia da minha irmãzinha.

Ouço o som dos passos do segurança no corredor. Me apresso para guardar minha bolsa no armário.

Uma batida soa.

— Srta, Collins?

— Sim, estou indo.

— Vista-se antes de sair, por favor. — Ele diz, sua voz firme.

Espera aí…O que?

— Como assim vista-se ?

O telefone dele toca.

— Foi o que eu disse.

Não saia desse vestiário sem se vestir. Vou atender essa ligação enquanto isso. E então, explico o que aconteceu.

Oh. meu. Deus.

Ninguém se interessou por mim? É isso?

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