Mundo de ficçãoIniciar sessãoEloíse sempre soube que nasceu em uma família onde dinheiro, poder e negócios caminhavam lado a lado. Mas, ao contrário de sua irmã gêmea, Elena, ela nunca desejou um lugar no império da família. Tudo o que Eloíse quer é liberdade. Uma vida simples. Seu próprio negócio. E, talvez, alguém que a ame pelo que ela realmente é, não pelo sobrenome que carrega. Então, quando conhece Dante, ela acredita finalmente ter encontrado alguém que entende seus sonhos. Um homem aparentemente simples, dono de um pequeno negócio, que não parece se importar com dinheiro ou status. Pela primeira vez, Eloíse sente que pode viver uma história que pertence somente a ela. Mas algumas famílias não acreditam em escolhas. Enquanto Elena se prepara para assumir o lugar que sempre desejou, um antigo acordo entre duas famílias poderosas está prestes a mudar o destino de todos. E, em uma noite que deveria marcar apenas o início de uma nova aliança, Eloíse descobrirá que talvez conheça muito menos sobre o homem que ama do que imaginava. Porque existem segredos que podem transformar um amor em escândalo. E existem encontros que fazem o destino parecer uma brincadeira cruel. Duas pessoas que tentaram fugir do mundo dos negócios e descobriram que estavam, justamente, ligadas por ele. Quando o amor nasce fora do contrato, até onde você estaria disposta a ir para protegê-lo?
Ler mais— Papai, o senhor sabe o quanto Elena sempre quis assumir tudo! — disse Eloíse.
Eloíse era mulher negra, de olhos cor de mel e cabelos castanhos e lisos com pontas onduladas que iam até o meio das costas. Seu corpo parecia esculpido, seus lábios e olhos eram o mais chamavam atenção quando ela entrava em uma sala, além de sua presença iluminadora.
Alfredo, seu pai esfregava as têmporas, cansado de tentar fazer Eloíse mudar de ideia e assumir o cargo de CEO da Albuquerque Tecnologia — ALTech. Além disso, Alfredo estava prestes a fechar um acordo para unir a empresa à Calhoun Technologies, acompanhado de um casamento entre uma de suas filhas e o novo CEO da empresa da família Calhoun. Alfredo era um homem de quase 70 anos, negro com cabelos e barba já grisalhos, sempre elegante. Seu rosto com marcas da velhice mostrava o quanto estava cansado e queria passar para uma de suas filhas, especialmente Eloíse, o cargo.
— Eloíse, você está absurdamente preparada. Você entrou na empresa aos 18 anos, aprendendo e passando por todos os setores.
Claro que seu pai pensava isso, Eloíse tem graduação em Engenharia de Computação, mestrado em Administração de Empresas e especialização em Inteligência Artificial e Estratégia de Negócios. Andou por todos os setores da empresa: desenvolvimento tecnológico, financeiro, jurídico e corporativo, marketing, relações internacionais, fusões e aquisições, gestão de projetos e estratégia empresarial.
— Pai, Elena também é preparada. Ela entra em uma sala cheia de empresários e domina a conversa — respondeu Eloíse.
Sua irmã gêmea, Elena tem graduação em Administração de Empresas, com especialização em Finanças e Gestão Corporativa, e também tem um MBA em Liderança e Gestão Estratégica. É excelente em negociação, apresentação, liderança de equipes, relações públicas, networking, comunicação, estratégia comercial e relacionamento com investidores. Além de sempre pressionar Eloíse dizendo que ela queria assumir o cargo de CEO da empresa.
— Sim, filha. Porém, você entende a empresa por dentro, Elena entende a empresa por cima; ela nunca teve experiência operacional. Além disso, você sabe exatamente como funciona a tecnologia que a empresa está tentando vender para os americanos.
— Papai, não vou mais debater sobre isso — ela bufou. — Vou honrar nossos últimos compromissos, porém vou sair da empresa ao fim do ano, como combinei com o senhor. Vou abrir uma pequena empresa focada em ajudar universitários. Posso viver bem. Não quero entrar em um debate com minha irmã. Elena já me detesta demais.
— Se você quer sua liberdade, não vou me opor. Mas ainda estamos em fevereiro. Peço que, até dezembro, você repense sobre isso.
— Chega dessa conversa! — ela beijou a testa de seu pai. — Vou me encontrar com Isabel agora.
— Mande um beijo para ela. Diga que estamos com saudades de tê-la aqui — Alfredo acariciou a cabeça da filha.
De repente, Elena entrou no escritório do pai e revirou os olhos ao ver Alfredo acariciando a cabeça de Eloíse. Elena era igualmente bela como Eloíse, afinal, elas eram gêmeas, porém Elena tinha escuros e cabelos pretos em corte Chanel, claro, tentando se diferenciar um pouco de sua irmã.
— Já vai ver aquela chata? — disse ela em tom de ironia.
— Elena, não gosto que fale de Isabel assim. Ela é como se fosse da nossa família e muito querida por todos nós! — disse Alfredo, repreendendo Elena.
— Só se for da parte de vocês. Não considero essa chata como da família — ela fez uma careta.
— Ignore-a, papai, assim como eu faço! — respondeu Eloíse. — Tchau, vejo o senhor no jantar.
Eloíse passou pela irmã, ignorando-a, que fez uma cara de nojo para ela. Pegou sua bolsa e as chaves do carro e foi em direção à garagem. Entrou em sua BMW X7, ajeitou o espelho e saiu dirigindo em direção à casa de sua melhor amiga.
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Após vinte minutos, chegou à casa de Isabel. As duas correram para o quarto para começar a colocar as fofocas em dia. Isabel era sua melhor amiga e trabalhava como sua secretária, ela era branca, ruiva e tinha sardas nas bochechas, além de ser uma das poucas pessoas em quem Eloíse confiava completamente.
— Elena é insuportável! Se vocês não fossem gêmeas, eu diria que ela foi achada no lixo. — disse Isabel, dando uma risada.
— Urgh, nem me fale! Ela está cada dia mais insuportável. Sempre tratando mal as pessoas, se achando superior a todos — respondeu Eloíse.
— Amiga, desculpe, sei que você já tomou sua decisão, mas seu pai tem razão. Você é bem mais preparada que Elena para assumir o cargo. Seu pai já está com 70 anos. Entendo ele querer descansar e passar o negócio para você, dando apenas conselhos e participando de decisões importantes.
— Eu entendo e concordo que meu pai queira se aposentar. É justo, mas eu não vou entrar em uma guerra com Elena. Ela também é inteligente, vai conseguir manter a empresa, e eu posso focar em meus projetos, auxiliando universitários a se prepararem melhor para o mercado de trabalho.
— Tudo bem, não vou mais insistir no assunto... por enquanto — Isabel olhou para Eloíse.
— Mas agora vamos pensar em coisas boas... nossa viagem!
— Estou tão animada com isso! — exclamou Eloíse. — Não vejo a hora de estarmos em Cancún. Serão dias incríveis.
— Sim, e depois Estados Unidos para mais uma de suas especializações na Columbia University.
— É sempre bom ter mais conhecimento, Bel. Mas, bom, vamos ao shopping porque preciso comprar algumas roupas para essa viagem.
— Com certeza! — Isabel se levantou rapidamente da cama e pegou sua bolsa.
As semanas seguintes foram algumas das mais importantes para Eloíse desde que recuperara a memória. Depois de analisar a proposta das universidades e conversar com advogados, investidores e Pedro, tomou a decisão que vinha amadurecendo havia algum tempo: o Projeto Recomeço deixaria de funcionar dentro da estrutura da Trajano Soluções Digitais e passaria a existir como uma empresa social independente.Pedro continuaria ao seu lado como parceiro estratégico, e a Trajano forneceria suporte tecnológico durante a transição, mas as decisões seriam de Eloíse. Pela primeira vez, ela teria uma empresa construída inteiramente a partir de uma ideia sua.— Então é oficial — Pedro disse, deixando os documentos assinados sobre a mesa. — Você está me abandonando.— Dramático.— Depois de tudo que fiz por você.— Você está literalmente entrando como investidor.— Detalhes.Eloíse riu e fechou a pasta.— Obrigada.Pedro percebeu a mudança em seu tom.— Pelo quê?— Por ter acreditado nisso quando eu ne
De volta ao Rio de Janeiro, Eloíse mergulhou novamente no trabalho. A viagem para Nova York havia mexido mais com ela do que gostaria de admitir, principalmente o breve encontro com Vicenzo no fim do chá de bebê de Isabel. Pela primeira vez, ele não tentara convencê-la de nada, apenas perguntara se estava feliz e parecera aceitar sua resposta.Talvez por isso ela tivesse pensado nele mais vezes do que deveria nos dias seguintes.Ainda assim, não procurou Vicenzo e ele também respeitou a distância. Eloíse preferia assim. Tinha passado tempo demais tentando reconstruir o passado e agora queria se preocupar com o futuro.Naquela manhã, Pedro entrou em sua sala com uma pasta nas mãos e a colocou diante dela.— Temos uma proposta.— Pelo seu sorriso, imagino que seja boa.— Muito boa.Eloíse abriu a pasta e começou a ler. Uma importante instituição educacional brasileira, apoiada por um grupo de investidores privados, queria financiar a expansão do Projeto Recomeço para outras cidades.Ela
Dois meses haviam se passado desde que Eloíse deixara Nova York com todas as suas memórias de volta. Ao contrário do que imaginara durante os meses em que viveu sem saber quem era, lembrar não havia devolvido sua antiga vida. Na verdade, havia feito exatamente o contrário. Eloíse escolheu permanecer no Rio de Janeiro.O apartamento que alugara em Ipanema ainda tinha algumas caixas fechadas em um dos quartos, mas começava a ganhar sua personalidade. Não havia nada da casa dos pais em São Paulo, nenhum móvel escolhido por outra pessoa e nenhuma fotografia da antiga vida espalhada pelas paredes. Aos poucos, ela decidia o que queria levar consigo e o que preferia deixar guardado.Profissionalmente, sua rotina estava cada vez mais intensa. O Projeto Recomeço havia crescido muito mais rápido do que imaginava. O núcleo no Amazonas continuava funcionando sob supervisão da equipe contratada por Pedro, e Lucas, agora efetivado como assistente de projetos enquanto continuava os estudos, ajudava
— Eu passei o último mês tentando lembrar de você — disse Eloíse, mantendo os olhos em Vicenzo. — E justamente quando consegui...Ela não terminou. Não precisava. A notícia da gravidez de Elena parecia ter transformado tudo aquilo que recuperara nas últimas semanas em algo doloroso demais para sustentar.Vicenzo deu um passo em sua direção.— Elo, por favor...— Não me chama assim.Ele parou.Eloíse respirou fundo e enxugou rapidamente uma lágrima antes que ela caísse.— Eloíse...— Senhorita Albuquerque também funciona, senhor Vicenzo Calhoun.A forma como pronunciou seu nome fez o peito dele apertar. Conhecia aquele tom. Já ouvira antes, quando ela descobrira sua identidade no baile e passara a usar “Vicenzo Calhoun” como uma barreira entre os dois.— Não faz isso.— Fazer o quê?— Me chamar assim.— É o seu nome.— Para você, sempre fui Dante.— Talvez para a mulher que eu era antes.A frase o destruiu.— Eloíse...— Sua esposa está grávida.Vicenzo olhou involuntariamente para Ele
Último capítulo