Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlice
Não. Não posso permitir que o medo me domine de novo. E, além disso, tenho um spray de pimenta na bolsa e meu celular. Se perceber que corro esse perigo, borrifo o spray nos olhos dele, me tranco no banheiro e peço ajuda. Até mesmo à polícia, se Adélia não for me socorrer. Está tudo sob controle. — Antes de irmos, preciso te passar algumas instruções que o senhor Kingston pediu. — Claro, quais? — Se encontrarmos alguém no caminho até o escritório, se esse alguém te fizer perguntas, qualquer que seja, deixe que eu as responda. E não questione minhas respostas, está bem? Franzo a testa para o pedido estranho. — Tudo bem, mas posso saber pelo menos o porquê disso? — Não tenho permissão para falar sobre isso. Só que ele é muito reservado com a vida pessoal. Entendi. Ele não quer que ninguém saiba que está prestes a comprar uma virgindade. — Tudo bem. Podemos ir agora? — pergunto. O celular dele toca. Ele atende. Após alguns segundos ouvindo, ele pergunta: — E se ela não tiver um ? Ok. Entendido. Meu coração acelera. Se eu não tiver, o quê? Só falta ele estar exigindo um tipo de lingerie específico, diferente da que estou vestindo. — Você trouxe um casaco? — ele pergunta. — O que? A expressão de queixo queixo caído me quer bem agora. Eu estava esperando um pedido indecente e então veio isso. Um casaco. Por que ele quer que eu vista um? — Casaco. Você tem um ? Se tiver,vista por favor. Foi um pedido do senhor Kingston. — Não, eu não tenho um casaco. Por quê ele quer que eu vista um casaco? — Franzi a testa. O que era isso agora? —eu devia questionar as ordens do cliente, uma vez que ele se tornou a minha melhor opção de sair daqui com o dinheiro que preciso, no entanto, a curiosidade de saber o motivo do porquê quer que eu coloque um casaco, fala mais alto. — Algo sobre seu vestido ser muito revelador. Não consigo evitar uma risada incrédula. — Tá brincando, né? — Não, srta Collins. Não estou brincando. Saberá o porquê disso quando estiver com ele. Aqui. — Ele tira o paletó e me entrega. — Por favor, vista. Peguei o paletó e vesti, quase desaparecendo de tão largo e comprido que ficou, batendo na minha canela. Tive que fazer cinco dobradas na manga pra conseguir ter a mão livre. Bem, foi ele quem pediu então, acho que o fato de eu estar ridícula, não é nenhum problema pra ele. — Só por curiosidade,...Como ele sabe que meu vestido é revelador, se é diferente do que usei nas fotos? — Ele viu pela câmera. Foi ordem dele também que você não saísse do vestiário sem estar vestida. — Posso saber…porquê? — Ele não queria que nenhum homem desse lugar, a viesse só de lingerie. Ele não disse, mas acho que é o mesmo com o vestido. Meu pai eterno. O homem já se sentia meu dono? — Acho que é um pouco tarde pra isso já que fotos minhas com um vestido muito parecido com esse foram para o site do clube. — zombo. Caramba. Isso é muito estranho. Será que é algum tipo de fetiche? — Não foram. — Ele diz. — O que? Como assim, não foram ? — Não é nada, Srta Collins. Melhor irmos logo. — Seguiu na frente, ignorando a descrença no meu rosto. Por que as minhas fotos não foram pro site ? Foi esse senhor Kingston quem pediu para não ir ou Adélia esqueceu de colocá-las ? A cada minuto que passa, esse homem se revela mais e mais estranho. Respiro fundo e me apresso para o elevador. No elevador, ele aperta o botão do quarto andar. Quando chegamos no andar onde o meu pesadelo real se encontrava, o segurança me guiou por um corredor com portas dos dois lados até parar em frente de uma delas. Ele bateu antes de girar a maçaneta e abri-la. "Você consegue. "Você consegue. — Você pode entrar. — disse ele. — Mas antes, preciso do meu paletó de volta.— diz com um leve curvar de lábios. — Ah, claro. — Tirei o paletó e entreguei para ele. — Obrigada. — Não por isso. Respirando fundo, forcei minhas pernas trêmulas a se moverem para dentro da sala com pouca luz e muito mais gelado que o corredor que estremeci. Ou talvez fosse o meu medo que estava provocando aquela sensação de frio repentino. Meu coração dispara e se não bastasse, minhas pernas começaram a tremer, e meus pés a oscilar no equilíbrio do meu sapato de salto médio. Médio. imagine se não fosse? Droga. A última coisa de que preciso, e me espatifar nessa sala, na frente desse homem é destruir o último vestígio de dignidade que me resta O som suave clique da porta se fechando atrás de mim,me fez estremecer ainda mais. Enfim na toca do lobo. Como se estivesse em câmera lenta, ergui a cabeça e observei o escritório elegantemente decorado atrás do homem que me queria a todo custo. Ele estava de frente para uma parede de vidro, com uma das mãos no bolso do elegante terno preto e um copo de bebida na outra. A luz suave que entrava pelas janelas refletia discretamente sobre o ambiente, tornando tudo ainda mais sofisticado, mas ao mesmo tempo, intimidador. Principalmente o homem parado lá. Em nenhum momento, desde que tomei essa decisão, permiti-me pensar em como seriam os homens que disputariam minha virgindade no leilão. Disse a mim mesma que isso não importava. O que importava era o dinheiro. E continua não importando. Mas, se eu tivesse me permitido imaginar, jamais teria imaginado alguém assim. Não mesmo. Se ele não tivesse um metro e noventa de altura, chegaria bem perto disso. Os ombros largos e os músculos dos braços se destacavam sob o terno preto sob medida. O cabelo, de um tom escuro quase negro, era cortado curto, conferindo-lhe um ar ainda mais imponente. Agora, só faltava conhecer seu rosto. — Boa noite, Alice —ele diz num tom baixo,mas poderosamente profundo que sinto os pelos dos meus braços se arrepiar. E então, ele vira para mim. Pisco os olhos, apenas para ter certeza de que estou realmente vendo o homem à minha frente e não imaginando. Não, estou imaginando. Ele é real. Puta. merda.






