O perfume de Helen Vaz me atingiu antes mesmo que sua voz terminasse de rasgar o ar. Era um cheiro pesado de jasmim e âmbar, o tipo de fragrância opulenta que se impregna na garganta e sufoca. Sob as luzes impiedosas dos lustres de cristal, o vestido vermelho dela parecia sangue fresco pisado no mármore.
Mas o que me paralisou foi o olhar.
Helen não me encarava como uma diretora financeira encara uma arquiteta intrusa. Ela me olhava com a fúria cega, descontrolada e sangrenta de uma mulher traí