O tempo dentro da cela é um castigo lento.
Selena já não tenta adivinhar há quantos dias está ali. Os olhos pesam, o corpo dói. O feixe de luz que entra pela fenda no alto da parede mal muda de cor. Ali dentro, a vida não avança. Apenas resiste.
A sopa da manhã chegou há pouco. O cheiro da raiz de nerium ainda dança no vapor morno — sinal silencioso de que alguém a vê. Alguém se importa.
Mas ela já começa a duvidar se isso basta.
A cabeça encostada na parede. Os joelhos contra o peito. A