Capítulo 146. Armadilha

"Augusto"

Voltar para a empresa foi pior do que imaginei e as minhas expectativas já estavam baixas.

Não houve resistência explícita, nenhum e-mail agressivo. As portas estavam abertas, meu nome ainda constava nos organogramas, minha vaga seguia intacta. À primeira vista, eu tinha sido autorizado a retomar meu lugar como se nada tivesse acontecido.

Bastaram poucos minutos para entender: eu não tinha voltado com liberdade.

Até a minha vaga no estacionamento não era a mesma. Alguns rostos conhecidos desviaram o olhar quando me viram passar. Outros sorriram de forma protocolar, como quem cumpre uma obrigação — não um gesto genuíno. Era sutil, quase imperceptível. Mas eu conhecia aquele ambiente melhor do que ninguém. Algo tinha mudado.

No elevador, revisei mentalmente minha agenda. Reunião com o conselho às dez — sendo que eu nem fazia parte dele, mas, sem o César, algum filho precisava ocupar o papel. Alinhamento com a equipe às onze. Pelo menos no papel, tudo parecia normal.

Na prátic
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