A manhã na nova casa tinha um silêncio diferente.
Não era o silêncio tenso das mansões onde cada ruído parecia carregar segredo, vigilância ou ameaça. Era um silêncio vivo, macio, desses que existem em lugares onde a paz ainda está aprendendo a morar, mas já começou a desfazer as malas. A luz do sol atravessava as cortinas do quarto em faixas douradas e suaves, desenhando o contorno dos móveis novos, dos lençóis amassados e do corpo adormecido de Rafael ao lado dela como se o amanhecer tivesse