Rafael ajudou Valentina a se levantar do leito com a mesma atenção de quem segurava algo precioso demais para arriscar qualquer descuido. Ela ainda sentia o corpo pesado, o cansaço correndo pelas veias como se a noite tivesse deixado dentro dela um resto de chumbo, mas havia também outra coisa agora. Uma espécie de quietude frágil, recente, que só existia porque o horror tinha finalmente ficado para trás. Não inteiro, não limpo, não sem feridas — mas para trás.
Ela se apoiou nele sem protestar.