A primeira coisa que Valentina sentiu foi frio. Não um frio comum, desses que se afastam com um cobertor ou com o calor de um quarto fechado. Era um frio úmido, cortante, que parecia subir da madeira sob seu corpo e entrar pelos ossos, lento e cruel, como se quisesse lembrar a ela, desde o primeiro segundo de consciência, que estava em um lugar errado.
Depois veio a dor.
Uma pontada seca na cabeça. O peso nas pálpebras. Os pulsos ardendo atrás das costas. O gosto amargo preso na garganta. O cor