O escritório de Rafael estava mergulhado em silêncio.
Do lado de fora, São Paulo fervia, mas ali dentro só se ouvia o zumbido baixo do ar-condicionado e o som distante do tráfego.
O tablet repousava sobre a mesa, o brilho da tela ainda aceso.
Na imagem, Valentina sorria — aquele sorriso ensaiado que ela dera durante o chá no Jóquei.
“O senhor Montenegro sempre foi direto no que quer.”
A voz dela ecoou pelo alto-falante.
Rafael encostou-se na cadeira, os olhos fixos na tela, o maxilar travado.
Aquela frase ficou rodando na cabeça como uma lâmina.
Um toque na porta.
Antes que pudesse responder, ela se abriu.
— Bom dia, senhor Montenegro.
Rafael não precisou olhar para saber quem era.
Revira os olhos.
— Já disse que tem que ser anunciado, Lucas.
Lucas Medeiros entrou, o terno meio amassado, o sorriso insolente de quem nunca entendeu o perigo que é brincar com um Montenegro.
— Eu, anunciado? Jamais. Ia estragar a surpresa.
Ele se jogou na poltrona à frente da mesa, cruzando as pernas como