O salão Montenegro nunca fora tão grandioso.
Lustres de cristal pendiam do teto como constelações congeladas. As paredes, revestidas em dourado e espelhos envelhecidos, refletiam luz, champagne e arrogância. Músicos de fraque tocavam violinos tão afinados que pareciam nem respirar.
E os convidados…
Ah, os convidados.
Mulheres de vestidos que custavam o preço de um apartamento. Homens cheirando a dinheiro velho e perfume importado. Risadas altas. Sussurros venenosos. Cada grupo tentando soar mais importante do que realmente era.
Até que—
O MURMÚRIO COMEÇOU.
Primeiro no canto direito do salão, como uma faísca discreta:
— Quem é… ela?
Depois se espalhou para o centro:
— Você viu aquilo? A máscara… o brilho…
E então, de repente, o silêncio caiu como uma cortina pesada.
Os fotógrafos na entrada pararam de respirar.
Os garçons congelaram com bandejas no ar.
Os músicos erraram uma nota — uma única — que denunciou que até eles olharam.
A porta principal se abriu.
Valentina entrou.
O vestido a