Mundo de ficçãoIniciar sessãoTraída pelo homem que amava e esmagada pelo peso das dívidas da família, Bianca acredita que chegou ao limite. Aos 22 anos, ela é uma jovem doce, ingênua e trabalhadora. Mora em uma favela, enfrenta longas jornadas como gari e entrega cada centavo do seu salário aos pais. Enquanto o pai afunda no alcoolismo e no vício em jogos, a mãe tenta manter a família unida, e a irmã sonha em escapar daquela realidade, envergonhada da própria origem. Quando criminosos invadem sua casa para cobrar uma dívida impagável, Bianca toma uma decisão desesperada: participar de um leilão exclusivo, prometendo a si mesma que será a última vez que sacrificará a própria felicidade para salvar a família... É nessa noite que seu caminho cruza com o de Ronan, um bilionário frio, perfeccionista e obcecado por controle. Ronan está no Brasil para concluir uma importante parceria internacional. Acostumado a comandar impérios e esconder a própria identidade atrás de uma máscara, ele não esperava reconhecer a jovem leiloada... nem sentir uma conexão tão intensa e inexplicável. O que deveria ser apenas uma noite transforma-se no início de uma história marcada por segredos, poder, vingança e um amor capaz de mudar suas vidas para sempre. Entre mundos completamente diferentes, Bianca e Ronan descobrirão que o destino pode nascer nos lugares mais improváveis... e que alguns contratos são escritos pelo coração, não pela razão.
Ler maisCapítulo 1: Bianca...
Minhas mãos tremem tanto que quase escondo o tecido fino do vestido que me emprestaram. O frio da luz forte do palco queima o meu rosto, e mordo o lábio com força para segurar as lágrimas... uma mistura de medo, vergonha e uma tristeza tão grande que parece me sufocar. Não poderia chorar agora, se fizesse isso, desmoronaria de vez. Como cheguei aqui? Eu me pergunto isso a cada segundo que passa, enquanto olho para as sombras onde estão aqueles que vieram comprar o que tenho de mais precioso. A resposta b**e forte no peito, sempre foi assim. Desde pequena, aprendi que o meu lugar é carregar o peso que ninguém mais quer levar. Trabalho como gari desde os dezesseis anos, acordo antes do sol nascer, passo o dia inteiro sob sol e chuva, e cada centavo que recebo eu entrego inteiro para casa. Meu pai chega em casa bêbado todos os dias, gasta tudo o que conseguimos juntar em jogos e bebida, e quando não tem mais nada, b**e a porta e grita que somos nós que o atrasamos. Minha mãe só sabe passar pano para ele, às vezes culpa a todos ao seu redor e diz que é o nosso dever sustentá-lo, que é isso que família faz. E minha irmã Amanda... está no último ano do ensino médio, sonha com uma vida longe daqui, tem vergonha de onde viemos, vergonha de mim, do meu trabalho, de tudo o que somos e eu entendo. Por isso eu me esforço ainda mais, para que ela consiga realizar esses sonhos, mesmo que eu nunca tenha os meus. E foi naquela manhã onde o pesadelo começou... o despertador tocou às quatro e meia da manhã, mas já estava acordada. Na verdade, não me lembro da última vez em que consegui dormir uma noite inteira. Abri os olhos e fiquei encarando o teto descascado do pequeno quarto que divido com a minha irmã. O ventilador velho faz um barulho irritante e a umidade desenha manchas escuras nas paredes. É estranho como alguém pode se acostumar com tudo... até com as dificuldades. Virei o rosto para o lado e encontrei Amanda ainda dormindo, mesmo nesse calor infernal, ela se cobre até a cabeça. Sorri com o corpo repunando. Minha irmã tem dezessete anos, está quase terminando o ensino médio, sua maturidade não aparenta a idade que tem. Levantei devagar para não acordá-la e fui para a cozinha, minha mãe já estava de pé como sempre. — Bom dia, filha. Ela sorriu, um sorriso cansado que fez meu peito se apertar. — A senhora devia estar descansando, mãe... acabou de sair de uma pneumonia. — E perder a chance de tomar café com as minhas meninas? Abracei-a por trás, sentindo o cheiro familiar do sabonete barato. — Um dia eu ainda vou te dar uma cozinha enorme, mãe... Daquelas de novela! Ela riu. — Eu não preciso disso, filha. — Precisa, sim. — Não, meu amor. Eu preciso é de vocês aqui comigo, felizes e bem. Engoli o nó na garganta, mamãe sempre diz isso, como se o amor fosse suficiente para encher a geladeira. Enquanto preparávamos o café, ouvi o barulho da porta sendo aberta, era meu pai, o cheiro de álcool entrou antes dele. — Antônio... — Mamãe suspirou. Ele cambaleou até a cadeira. — Cadê o café? Fechei os olhos por um segundo, cinco e vinte da manhã e ele está completamente bêbado. Passa todas as noites em bares bebendo e jogando. — Tá na mesa, pai... — Está frio! — Acabei de fazer. — Então esquenta, sua incompetente! Respirei fundo buscando paciência. — Eu esquento, mãe... senta... — menti enchendo a xícara. Ela lançou-me um olhar triste, aquele olhar que sempre faz para eu nunca discutir com ele. Porque, quando meu pai bebe, qualquer palavra vira guerra nessa casa. — E o dinheiro? — perguntou de repente. Meu coração afundou. — Que dinheiro? — O que você recebeu ontem. — Paguei a conta de luz. — Mentira! Tá escondendo dinheiro de mim? — Não estou. — Tá me chamando de idiota? — Pai... — Eu sou o homem dessa casa! A voz dele ecoou pelas paredes, Amanda apareceu na cozinha naquele momento, vestida com o uniforme do colégio. — De novo? — reclamou, irritada. — Não dá para ter um dia normal nessa casa? — Amanda... — mamãe repreendeu. — Não, mãe! Eu estou cansada! Cansada de passar vergonha! Todo mundo tem uma vida normal, menos a gente! Meu pai bateu na mesa. — Tá reclamando do quê? Come porque eu sustento essa casa! Não sei se senti vontade de rir ou de chorar. Afinal, a única pessoa que realmente sustenta essa casa sou eu. — Pai, por favor... — Cala a boca, Bianca! Amanda revirou os olhos. — Se dependesse do senhor, a gente já estava morando na rua sem nada pra comer! — Desgraçada! Cala essa boca! — Antônio! — gritou mamãe. — Eu odeio essa vida! — disparou Amanda. — Odeio essa favela! Odeio essa pobreza! E odeio ter que dizer para as minhas amigas que meu pai é um bêbado e que minha irmã trabalha varrendo rua! Aquelas palavras me acertaram como uma facada, nunca tive vergonha de ser gari. Para mim trabalho é trabalho, desde que seja digno. No entanto, ver a vergonha estampada nos olhos da minha própria irmã... doeu muito. — Amanda... — minha voz saiu baixa. Ela percebeu o que tinha feito e desviou o olhar. — Eu... não quis dizer... Peguei minha marmita e a bolsa. — Bianca... — mamãe chamou. Forcei um sorriso. — Está tudo bem, mãe... não posso chegar atrasada. — disfarço engolindo o choro. Na verdade, nada estava bem e saí de casa antes que elas me vissem chorar. O céu ainda estava escuro quando caminhava pelas vielas da comunidade. Cumprimentei dona Luzia, que abria sua barraca e sorri educadamente para seu Jorge, que lavava a calçada. A vida segue, ela sempre segue... mesmo quando a nossa vontade é parar. No ponto de ônibus, meu celular vibrou, um sorriso bobo brotou automaticamente. Era meu namorado, o homem com quem eu sonho construir uma família. Atendi a chamada de vídeo. — Bom dia, meu amor. — Bom dia, princesa. Seu sorriso sempre consegue deixar meu coração quentinho. — Dormiu bem? — Mais ou menos. — Seu pai de novo? Assenti. — Um dia eu vou tirar você dessa vida, Bi... Sorri. — Não preciso de luxo. — Mas merece. — Só quero paz. — E terá, minha princesa... Fechei os olhos por um instante, acreditando em suas palavras... Henrique é o meu porto seguro, meu abrigo e o sonho mais bonito que já tive nessa vida. Nos conhecemos desde o tempo do colégio, da amizade nasceu o amor e sempre acreditei em cada palavra dele, num futuro juntos, na casa simples que planejávamos e nos filhos que ele dizia que teríamos.Capítulo 05: Bianca...Ele pousou a máscara sobre a mesa e deu um passo em minha direção. Instintivamente, recuei e Ronan parou imediatamente.— Não vou me aproximar se isso a deixa desconfortável.É difícil compreender ou decifrar as verdadeiras intenções desse homem.— Por que fez isso?Ele franziu a testa.— Tirou a máscara...— Porque não gosto de esconder quem sou das pessoas que considero importantes.Arregalei os olhos.— Eu nem conheço o senhor.— Ainda não.O silêncio voltou a dominar o quarto, ele caminhou até o sofá e sentou-se, mantendo uma distância respeitosa.— Sente-se, Bianca. Não quero que esta noite seja mais dolorosa do que já está sendo.Depois de alguns segundos de hesitação, sentei-me na poltrona à sua frente nos pés da cama.— Posso lhe fazer uma pergunta?Assenti.— Então você foi obrigada a participar desse leilão?Balancei a cabeça.— Ninguém apontou uma arma diretamente pra mim, mas... quando vi aqueles homens ameaçando matar minha família, senti que não ti
Capítulo 4: Bianca ...O homem virou-se lentamente, a máscara negra ainda escondia parte do seu rosto, revelando apenas os olhos de um azul intenso. Eram frios mas, ao mesmo tempo, carregavam algo que eu não conseguia decifrar. Ele me observou por alguns segundos, mas não era como os homens lá de fora. Seu olhar não percorreu meu corpo com desejo.— Qual é o seu nome? — perguntou.Ele tinha acabado de pagar um milhão de reais por mim e me pergunto:Como não sabe o meu nome?— Bi... Bianca...Ele repetiu baixinho, quase para si mesmo.— Bianca...Então ele fechou os olhos por um instante.— Nome lindo... eu sabia.Meu coração acelerou.— Sabia... o quê?Ele não respondeu, apenas continuou me olhando.— Você não me reconhece, não é?Balancei a cabeça negativamente. Nunca o tinha visto, pelo menos acredito que não. Ele soltou um suspiro discreto.— Melhor assim.Aquelas palavras aumentaram ainda mais minha confusão.Quem é esse homem?Por que parece me conhecer?Por que me escolheu?Re
Capítulo 03: Bianca...Voltei e trabalhei como uma máquina, mal conseguia pensar e Patrícia percebeu.— Conseguiu algo no banco?— Não.As lágrimas embargaram os meus olhos.— Você tem razão.Ela me encarou.— O quê?Minha voz falhou.— Me leva lá... no clube.— Não.Foi a resposta mais inesperada.— O quê?— Não.— Patrícia...— Eu não vou carregar essa culpa.— Por favor.— Não!— Eles vão machucar a minha irmã!As lágrimas começaram a cair.— Eles vão destruir a minha família!Patrícia me abraçou.— E quem vai salvar você?Desabei em seus braços e chorei como uma criança, porque ninguém nunca fazia essa pergunta.Todo mundo precisava de mim, mas e eu? Não precisava de ninguém?— Eu não tenho escolha.Ela chorou comigo.— Tem certeza?— Não.Mas também não tinha alternativa.Às sete da noite, parei em frente ao espelho do meu quarto, minhas mãos tremiam, usava um vestido simples emprestado por Patrícia, nada extravagante ou vulgar. Porque eu não era aquilo eu ainda era eu... ou pelo
Capítulo 2: Bianca...O sol do meio-dia castigava sem piedade, o uniforme já estava grudado no meu corpo por causa do calor e, minhas mãos doíam de tanto empurrar o carrinho e varrer as ruas. Mesmo assim, eu sorria para as pessoas que passavam, porque, por mais difícil que seja a vida, eu ainda tenho motivos para continuar.Estava recolhendo alguns papéis perto de uma praça quando meu olhar se prendeu do outro lado da avenida. O meu coração reconheceu aquele carro antes mesmo dos meus olhos. Era o carro de Henrique...Franzi a testa, ele havia dito que estaria trabalhando e sem pensar muito, atravessei a rua, um sorriso bobo nascendo em meus lábios. Acreditei que talvez tivesse vindo me ver e preparado alguma surpresa. Afinal, ele sempre sabe como melhorar os meus dias mais escuros. Henrique estacionou em frente a uma joalheria e não estava sozinho. Uma mulher desceu do banco do passageiro, alta, bonita e muito elegante.Diminui os passos e meu sorriso desapareceu tentando buscar algu
Último capítulo