O silêncio dentro do carro era um peso sufocante, tomado por emoções não ditas e pelo ar denso da privacidade que nos cercava. A separação feita pelo divisor parecia ilustrar não apenas uma barreira física, mas a distância colossal que já nos dividia emocionalmente. Rosália, sentada ao meu lado, enrolava as mãos no colo, como se buscasse segurar as próprias inseguranças, enquanto seus olhos, embora atentos, evitavam qualquer contato prolongado comigo. O medo que emanava dela não me satisfez tanto quanto imaginei que faria. A verdade era que eu esperava mais—muito mais da dor ou do ódio que aquele casamento deveria incutir.Minha voz rompeu o silêncio, quase como um sussurro sinistro, ao perguntar sobre os sapatos que havia comprado para ela para o dia da cerimônia. Rosália me lançou um olhar sob suas pestanas baixas, estudando minha expressão, como se tentasse decifrar minhas intenções secretas. Havia ali uma curiosidade inquietante, e isso me enfureceu mais do que poderia admitir. Afi