Não consigo tirar as palavras de Felicia da minha cabeça. Elas ficam rodando, insistentes, como um sussurro venenoso que não me deixa em paz. Vejo o rosto dela sempre que fecho os olhos. O ódio explícito. A certeza cruel em cada palavra. O prazer quase contido em me ferir. O que ela disse, o que ela insinuou, o que deixou no ar… tudo isso se mistura aos pensamentos que eu já vinha tentando empurrar para o fundo da minha mente desde a noite em que Luciano me arrancou daquele consultório, daquele médico que ia tirar meu bebê de mim, e me trouxe para casa como se estivesse me salvando de um abismo.
Mas não é só isso que me consome.
Antes de vir para esta casa, antes de os irmãos Bonanno entrarem na minha vida, eu nunca tinha sentido isso. Nunca fui odiada. Já fui ignorada, já fui invisível, já fui descartável. Mas ser odiada é diferente. O ódio tem peso. Tem cheiro. Tem presença. É quase algo físico, algo que se move no ar ao seu redor, que te observa, que te mede, que te espera tropeçar