Eu paro no mesmo instante. Sou grata pela música alta e pelas risadas que explodem ao redor de Felicia, porque é isso que disfarça o som estranho que escapa da minha garganta quando sinto o sangue sumir do meu rosto. Meu corpo esfria de repente, como se alguém tivesse aberto uma porta invisível dentro de mim e deixado tudo escapar.
Viro-me para Luciano e balanço a cabeça devagar. Meu coração bate tão rápido que tenho certeza de que ele consegue ouvir.
— Por favor…
Antes que eu consiga dar um passo para trás, ele envolve a mão em torno do meu pescoço e me puxa para perto. Para qualquer pessoa observando, parece apenas um gesto carinhoso, quase um beijo na bochecha. Mas não é. A boca dele está próxima demais do meu ouvido.
— O Juiz é meu amigo. Você vai ter que se acostumar com ele.
— Eu… eu não consigo sussurro, a voz falhando.
— Eu pedi para ele cuidar de você, Rosália. Se alguma coisa acontecesse comigo, ele saberia exatamente o que fazer.
— O quê? Afasto-me um pouco, olhando para el