O inchaço havia se espalhado, uma mancha arroxeada que se estendia da têmpora até o maxilar, o lábio inferior rachado e sensível ao menor roçar da língua. O gosto de sangue ainda persistia, metálico e acre, misturado ao sabão de lavanda que eu usava para tentar apagar o cheiro da noite. Fechei os olhos, inclinando a cabeça para trás contra a borda de porcelana, e deixei a água lavar as lágrimas que finalmente escapavam.Um tapa era aceito como lição em meu mundo, uma marca como lembrete, e vulnerabilidade era algo a ser escondido até a morte. Meu pai, com seu punho de ferro e olhos que não piscavam, era o epítome disso. Mamma, por outro lado, era a mestra da submissão graciosa, de sorrisos que escondiam cicatrizes. Eu aprendera com ambas: sorria, obedeça, e sobreviva.Mas Damiano... ele quebrara o molde sem esforço. Na varanda, quando segurou meu queixo - um toque que poderia ter sido possessivo, dominante, como os de outros -, ele não apertou. Não ordenou. Ele me guiou o olhar para o
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