Ao longe, podia-se ouvir o som dos trovões. O dia foi anormalmente abafado, mas agora um vento frio soprava do norte, trazendo o prenúncio de uma grande tempestade. Allan tapou o rosto com a coberta e tentou dormir.
Que se danasse o tempo!
Antes de ir parar naquela maldita cela, ele amava adormecer com chuva. O sono parecia velado por anjos, ao ouvir o som divinal de pequenas gotas caindo contra o telhado. Naquele momento, porém, nada mais importava. Estava cansado de ter sua liberdade privada por uma injustiça. Já fazia um mês que era obrigado a acordar e viver dentro daquela cela, e, pior, aguentar Steph Morris o dia todo.
Neste exato momento, o investigador comia amendoim, sentado numa cadeira de frente para as grades de Allan. Suspirando, o loiro pensou em quando ficaria livre deste martírio.
— Se era para ser preso, porque não me mandaram para uma cadeia grande, onde eu não precisasse olhar o rosto deste cara? – resmungou.
— O que disse? – indagou Morris, observando o loiro.
Resp