Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV Desconhecido
Ele segurou o braço dela.
Foi rápido, natural e instintivo.
Não houve cálculo ali e isso foi a confirmação que eu precisava.
Henrique sempre foi impecável em negociações. Sempre soube quando recuar, quando pressionar, quando deixar o outro acreditar que venceu.
Mas existe algo que ele nunca soube administrar bem:
Orgulho.
Ele não suporta perder. Não suporta ser desafiado. E, principalmente, não suporta quando algo que considera seu é tocado.
A garota não é o alvo, ela é o ponto de tensão.
Henrique construiu tudo com frieza. Suas empresas, reputação e nome, mas nunca construiu blindagem para o que sente e é aí que homens como ele sangram.
A mensagem não foi uma ameaça, mas sim um teste. E ele reagiu da forma que eu esperava, pessoalmente. Ele não delegou ou observou à distância.
Ele simplesmente foi.
Isso não é estratégia, é impulso disfarçado.
E eu conheço Henrique o suficiente para saber que, quando ele começa a agir antes de pensar, significa que já existe algo que ele não quer admitir, que não pode controlar.
Eu não quero dinheiro.
Eu não quero manchete vazia.
Eu quero que ele sinta o que eu senti. A sensação de perder algo antes mesmo de perceber que estava em risco.
E ele vai sentir.
Porque, dessa vez, não é sobre um negócio.
É pessoal.
POV Henrique
O silêncio dentro do carro era pesado. Isadora olhava pela janela, mas eu sabia que estava pensando, pois era a mesma coisa que passava pela minha cabeça.
Não no homem de boné, mas no sorriso dele antes de virar as costas.
Satisfação.
Ele queria que eu fosse. Queria medir o quanto eu sairia do meu próprio eixo.
E eu saí.
Não totalmente, mas o suficiente. O suficiente para ele entender o ponto certo do jogo.
Eu apertei o volante com mais força do que deveria.
Não gosto de ser conduzido. Muito menos emocionalmente.
— Você está com raiva — Isadora disse de repente.
Eu quase sorri.
— Estou avaliando o risco.
— Não. — Ela virou o rosto na minha direção. — Você está com raiva.
Eu sustentei o olhar dela por um segundo. Ela estava certa. O sentimento era algo mais cru. Alguém tinha ousado se aproximar dela com intenção calculada. E isso mexeu comigo de uma forma que eu não podia mais fingir que era apenas proteção por ela ser filha do meu melhor amigo.
— Ele não estava ali por acaso — eu disse.
— Eu sei.
A resposta dela foi firme.
Sem drama, sem tremor e isso me atingiu.
— Você acha que isso vai piorar? — perguntou.
Sim, eu sabia que sim. Mas o que me preocupava não era a escalada direta. Era a forma como ele estava jogando.
Testando a reação.
Testando a proximidade. Testando a exposição.Se amanhã surgisse uma foto minha segurando o braço dela? Se alguém insinuasse favorecimento? Se alguém sugerisse que eu estava manipulando a filha do meu sócio?
Não seria só um escândalo. Seria desgaste e desgaste corrói.
Eu olhei para ela. Cabelo preso, rosto sério e orgulho intacto.
E pela primeira vez pensei algo que nunca tinha permitido formular completamente.
Se alguém tentar transformar isso em sujeira… Eu assumo antes.
A ideia não veio como romantismo, veio como instinto. Como quando você fecha uma porta antes que o vento arrombe.
Eu não disse nada, mas a semente estava ali na minha mente.
Assumir publicamente, tirar da sombra. Não permitir que transformem nossa proximidade em arma.
O problema é que assumir significa ultrapassar a linha que eu venho fingindo respeitar há anos.
— Henrique — ela chamou de novo.
— O que foi?
— Você não precisa carregar isso sozinho.
Eu ri, baixo.
— Eu sempre carreguei.
— Mas não precisa.
Eu não respondi. Porque, naquele momento, ficou claro para mim que o ataque não era apenas externo.
Ele estava servindo para me forçar a tomar uma decisão que eu vinha adiando e talvez essa fosse a verdadeira intenção.
Não me destruir financeiramente.
Me forçar a escolher.
Entre controle…
E ela.
Maldição!







