Alex Foxy
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, olhando a mulher parada na minha frente. — Minha mãe não está em casa, volte outra hora! — Empurrei a porta para fechar, mas ela impediu.
— Eu não quero falar com ela, é com você — disse e já foi entrando. Que mulher atrevida.
— Eu não tenho nada para falar com você!
— Mas eu tenho muito o que conversar com você.
— Não me interessa, então vá embora e poupe o meu tempo!
— Eu não vou embora, então é melhor você me ouvir! Alex, o seu pai é um homem incrível, você precisa dar essa chance a ele.
— Eu já disse que não! Agora sai da minha casa!
— Cara, você não tem um coração? O seu pai está morrendo e só quer passar seus últimos dias com vocês! — A maldita mulher que, aparentemente, conhecia "bem" aquele velho filho da puta, gritou na minha sala.
— Eu já falei, caralho! Eu não quero contato com aquele velho maldito, eu não tenho pai! — Gritei de volta. — Agora vai embora da minha casa, porra!
Ela continuou no mesmo lugar e ainda me olhou de cima a baixo, com cara de cachorra no cio.
— Eu não vou sair daqui até você aceitar ir lá! — desafiou-me, colocando as mãos na cintura. — Olha, eu sei a sua história, o Gui me contou tudo que ele fez, mas ele se arrependeu e procurou por vocês. Cara, ele só quer uma chance de se redimir — continuou insistindo sem tirar os pés do lugar. Eu passei as mãos nos cabelos e respirei fundo, tentando controlar a vontade de agarrar a maldita pelo pescoço.
— Já estou sendo paciente demais com você. Você vai sair ou não? — Cerrei os dentes de tanta raiva.
— Eu já disse que só vou embora quando você disser sim para o meu pedido — sorriu, desafiadora. A paciência que eu já não tinha acabou de ir para a casa do caralho com a petulância dela.
Caminhei até ela e segurei seu braço, arrastando-a porta afora.
— Ai! — reclamou quando caiu de bunda no chão. Eu, literalmente, a joguei na rua. — Como você é mal-educado! E grosso também! Um cara tão bonito deveria agir melhor com uma dama.
— Eu agiria, se você fosse uma dama, mas você está longe disso, é só uma vadia intrometida que gosta de incomodar! — Cuspi as palavras sem um pingo de remorso e entrei em casa, bati a porta com tanta força que o quadro caiu da parede. Mesmo assim, a filha da puta continuou fazendo escândalo na minha porta, não parou enquanto não liguei para a polícia e a levaram embora.
Vinte e quatro anos, são exatos vinte e quatro anos que eu não tenho ninguém para chamar de pai, passei vinte e quatro anos da minha vida tendo que me virar para ajudar a minha mãe. Cresci vendo ela chorar pelos cantos por causa daquele desgraçado e só agora ele lembrou que tem filho e esposa? Agora, depois de anos, depois de todas as fases ruins passarem, ele envia essas duas mulheres na nossa porta nos pedindo para ir a Las Vegas vê-lo? Não mesmo! Eu não quero nenhum tipo de contato com aquele velho.
Meu nome é Alex Foxy, infelizmente, tenho o sobrenome dele. Tenho vinte e quatro anos e cresci em Chicago. Somos só eu e minha mãe. Tivemos uma vida simples, difícil, às vezes mais do que difícil. Passamos por momentos precários quando minha mãe adoeceu. Tive que trabalhar desde cedo para ajudar nas contas, não tive tempo de curtir a adolescência como qualquer garoto de treze ou quatorze anos. Minha rotina era escola, trabalho e treinos; lutava desde os sete anos de idade. No início, era só para controlar o meu temperamento, eu brigava muito na escola, mas gostei tanto que aos treze anos me inscrevi no campeonato de MMA juvenil. Era um torneio clandestino, não tinha regras, nenhuma regra mesmo, mas pagava muito bem. Eu lutava duas, às vezes três lutas por mês para manter as contas pagas e ter uma grana sobrando. Lutar escondido da minha mãe foi minha rotina por dois anos. Depois, acabei contando e ela me apoiou, o que foi bom, pois isso também me ajudou a ter um pouco de controle sobre as minhas emoções. Ao menos na maior parte do tempo eu me controlo e não fico agredindo quem me provoca. Parei de lutar por dinheiro quando consegui um emprego numa empresa de transportes, mas ainda treino e luto também, agora só para manter a forma e diminuir a raiva.
Quando fiz quatorze anos, minha mãe começou a trabalhar para o senhor Joseph. Ele foi a única figura paterna que conheci, foi ele quem me apoiou na minha fase de adolescência, livrando-me das encrencas que eu me metia por causa das brigas. O Joseph me deu muitos conselhos e foi um grande confidente nos momentos complicados da minha vida. Sou muito grato a ele.