Mundo ficciónIniciar sesión
Elizabeth Marie
— Alicia, tem certeza que esse é o endereço certo? — perguntei. Estamos em frente a uma casa pequena. Pequena demais. — É aqui mesmo, Liz. Anda, toca a campainha! — confirmou, depois de olhar o papel em sua mão. Toquei algumas vezes, mas ninguém veio atender. O sol estava muito quente e eu com uma fome monstruosa, só tomei o café da manhã e o relógio marcava meio-dia. O cassino royale, onde trabalho, tem muitos clientes legais. Guillermo Foxy era um deles, ele é bilionário, mas nem parecia, tratava a mim e a Alicia como filhas. Outro dia, ele chegou agindo muito diferente e, infelizmente, por um motivo grave: ele estava doente, descobriu um câncer já bem avançado, não viveria muito, e o último desejo dele era encontrar a esposa e o filho. Gui, era assim que o chamávamos, foi um grande cretino no passado, isso é um fato, mas há erros que podem ser perdoados. Para realizar o último desejo do nosso amigo, Alicia pediu ajuda aos antigos aliados do avô dela, eles são bons, pois não demorou nem um mês para encontrarem o endereço. Sarah e Alex, esses são seus nomes, moram em Chicago. E aqui estamos, tentando contato, mas eu não estava convencida que era o endereço certo. — Alicia, você tem certeza que esse povo mora aqui? Olha essa casa, não é possível que eles moram neste lugar! — falei, mostrando o bairro simples. O Gui tinha tanta grana, era difícil acreditar que sua esposa e filho vivessem tão mal. — O que tem de errado com a nossa casa para ser impossível que ela seja habitada? — Uma voz fria soou atrás de mim. Tinha um misto de raiva e impaciência no seu tom, que me arrepiou sem eu sequer ver quem falou. — Não tem nada de errado com sua casa. Minha amiga está com fome e por isso falou besteira — Alicia respondeu, passando por mim. — Você deve ser o Alex, certo? — Depende de quem está procurando por mim. Se for importante, sou eu; se não for, não estou em casa! — respondeu, tão frio quanto um iceberg. Virei-me para olhar o dono da voz e, caralho! Senti cada célula do meu corpo reagir descontroladamente, o homem era um deus grego. Belíssimo. Ele devia ter uns dois metros de altura, alto pra caramba, ombros largos, músculos marcando na camisa, tão definidos que parecia ter sido desenhados um por um, seus cabelos eram cabelos loiros como o Gui e os mesmos olhos azuis profundos. Ele estava com os braços cruzados sobre o peito e uma cara de quem chupou limão azedo, mas isso só o deixou mais gostoso ainda. E aquela boca, Senhor… eu cheguei ao paraíso! — Eu sou a Alicia e essa aqui — apontou para mim — é a minha amiga Liz. É Elizabeth, mas pode chamá-la de Liz. — Alicia estendeu a mão e ele apertou rapidamente, mas quando eu estendi a minha, ele nem olhou. Voltei com a mão para junto do meu corpo, extremamente envergonhada. — O que você quer comigo? — perguntou, dirigindo-se a Alicia. Ele nem fez questão de nos convidar para entrar. — Nós precisamos conversar com você e com sua mãe. É um assunto importante, você pode nos receber? — Alicia perguntou e depois me encarou. Ela parecia um pouco insegura se teríamos sucesso em nossa missão. — Minha mãe não está em casa, mas pode entrar, ela chegará logo — finalmente ele abriu o portão, mas pela expressão desgostosa, não era o que queria fazer. A simplicidade do lado de fora se estendia para dentro da casa, era tudo muito simples, mas também muito bonito e bem cuidado. Eu até tentei puxar assunto com o deus grego, mas fui vergonhosamente ignorada, ele parecia só enxergar a Alicia, só respondia às perguntas feitas por ela. A mãe dele realmente não demorou muito, entrou pela porta quinze minutos depois. Não foi nem um pouco ruim esperá-la, já que eu estava com uma bela visão à minha frente. Diferente do filho, Sarah era a simpatia em pessoa, nos recebeu muito bem e até nos convidou para almoçar. Eu aceitei imediatamente, estava com tanta fome que acabei repetindo três vezes, todas as vezes que eu servi o meu prato, o gostoso ficou me olhando pelo canto dos olhos. — Muito obrigada, Sarah! Você é ótima, tem mãos de anjo — agradeci com o meu melhor sorriso. — É bom saber que minha culinária é tão apreciada. Pode ficar à vontade para comer mais se quiser — ela me olhou com os olhinhos brilhando. — Não ofereça mais, Sarah, ou ela aceita. Não sei para onde vai tanta comida, essa daí devora três porções enormes e continua magra — Alicia falou, rindo. — Mentira! Sarah, eu não como tanto quanto comi agora, geralmente é um pouquinho menos, eu só exagerei porque estava com muita fome, nós nem almoçamos para esperar por vocês — sorri, observando a mulher simpática. Gostei dela. — Eu sinto muito pelo atraso — respondeu ela, sorrindo de volta. Ela sorriu, mas o filho dela fechou mais a cara e ainda revirou os olhos. Sarah ficou super emocionada quando falamos o motivo da nossa visita. Ela chorou muito e, pela sua reação, já deu para saber que, assim como o Gui, ela também continuava apaixonada. Nossa missão seria muito fácil se fosse só ela a ser convencida, porém foi muito difícil, Alex guardava um ódio mortal do pai. E para o meu azar, o que o homem tem de gostoso, também tem de frio, mal-educado e grosso. Quando tentei conversar com ele, o danado me jogou para fora da sua casa.






