Capítulo 3

Eu deixei a mulherzinha passar uma noite na cadeia. Ela e a amiga Alicia contaram uma longa história triste para minha mãe, até a convenceram de que o homem realmente mudou e que ele não sabe que as duas estão aqui. Minha mãe, muito inocente, acreditou em tudo, mas eu não, eu não acreditei em uma vírgula sequer. Aliás, essa Liz não me descia, ela chegou aqui desdenhando da nossa casa como se fosse melhor do que nós. Com aquele jeito vulgar e aquela boca suja, só podia mesmo ser amiga daquele velho maldito.

Cheguei do trabalho e encontrei a minha mãe na sala, me esperando. Ela ligou mais cedo e disse ter um assunto sério para tratar comigo. Adivinha só qual é o assunto? Sim, é sobre o velho.

— Mãe, eu não vou me encontrar com aquele maldito! — Gritei, quando ela tentou, mais uma vez, me convencer a ir com ela para Las Vegas.

— Alex, por favor, eu estou te pedindo, por favor, meu filho! — Suplicou, quase chorando.

Eu passei as mãos pelos cabelos e gargalhei, uma gargalhada sarcástica. Eu não acreditava que minha mãe estava me implorando por aquele homem.

— Mãe, a senhora está se ouvindo? Está me implorando para ir com a senhora, está quase chorando só por causa daquele homem!

— Alex, ele está morrendo, MORRENDO! Você não ouviu? — Disse com sua voz alterada.

— E a senhora acreditou? Por favor, mãe, essas duas bateram aqui na nossa porta com uma historinha comovente sobre o homem que nos abandonou anos atrás e a senhora acredita? Viu como elas falam, como se vestem! — Falei mais da tal Liz que da outra, a outra parecia ser um pouquinho menos ruim.

— Alex, não foi ele que nos abandonou, eu que fui embora. Se você quer culpar alguém, culpe a mim!

Pronto! Agora ela estava se culpando, só para limpar a barra do velho. Era só o que me faltava.

— Eu tenho certeza que à toa não foi! — Falei e saí sem olhar para trás.

Estava com tanta raiva dessa história toda.

Amo a minha mãe, amo muito, mas o que ela estava me pedindo era demais. Perdoar aquele homem eu não vou. De jeito nenhum!

Para tentar aliviar um pouco a minha raiva, decidi ir a um bar que frequento sempre: o Chicago Fire Bar. Liguei para o meu amigo ir comigo, realmente precisava espairecer a minha mente e desabafar, a minha cabeça estava estourando e faltava pouco para eu enlouquecer. O Chicago Fire Bar é um bar temático, inspirado na série Chicago Fire, um dos poucos bares que eu frequentava.

— Aqui! — Assim que passei pela porta, meu amigo Ruy gritou, balançando as mãos. Fui até ele e sentei-me ao seu lado.

— Então, o que está acontecendo? Você parecia muito irritado ao telefone.

— Estou muito chateado com uma história aí — suspirei, esfregando os cabelos.

— Que história? Andou brigando de novo?

— Não. Dessa vez é sobre o homem que se diz meu pai — respondi, bebendo uma generosa dose de uísque. Ruy arqueou a sobrancelha, eu não gosto de bebidas alcoólicas, então ele sabia que estava realmente péssimo.

Fiz um pequeno resumo da história e ele concordou que era inaceitável, principalmente quando ressaltei que o velho era podre de rico, dono de uma rede de shoppings e vários outros negócios importantes em Las Vegas e em outras cidades do Estado de Nevada.

Eu estava bebendo meu segundo copo, quando senti alguém esbarrar em mim e um líquido gelado escorrer pelas minhas costas.

— Desculpe, gato, foi mal. Eu não quis... — ela parou de falar assim que viu em quem esbarrou. Ela. De novo a maldita mulher veio me perturbar. Ela queria acabar com meu juízo.

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