Alexandra Jones
A noite de segunda tinha cheiro de desordem.
Sean e eu estávamos na cama, as luzes baixas, o quarto suspenso naquele silêncio que só existe quando o corpo descansa, mas a mente não. A respiração dele batia quente na minha nuca quando ele falou, sem aviso:
— Sua mãe é sempre assim, Alex? Hoje… ela falou como se estivesse codificando alguma coisa. Como se escondesse mais do que dizia.
Virei devagar, escolhendo cada gesto como quem pisa em vidro.
— Sim, amor… ela é assim. Dramática. — Forcei um sorriso. — Acha que vive numa novela mexicana desde que nasceu. Não leva tão a sério.
Ele não riu.
— Não, Alexandra, é mais que isso. — A voz veio firme, mas o corpo dele estava tenso. — Ela olhou para nós como se soubesse de alguma coisa que eu não consigo enxergar.
Passou a mão pelo cabelo, inquieto. — O olhar dela… parecia uma ameaça.
O frio subiu lento pela minha espinha.
Ele não estava errado, Ângela nunca visita por acaso.
Nunca fala por acaso, mas eu não podia deixar que