Ângela Jones
Sempre soube quando aquela garotinha escondia algo.
Quando criança, ela escondia doces.
Agora, adulta, esconde coisas maiores.
E, claro, esconde do jeito errado.
Estaciono o carro importado — alugado com o dinheiro que o Tropeço da Faria Lima me devia — diante da casinha do casalzinho apaixonado.
Observo a fachada com o desprezo silencioso de quem já viu esse filme demais.
— Típico. — Murmuro. — Luxo sem garantia financeira.
Toco o interfone uma única vez. Não vim fazer escândalo; vim fazer estrago.
O “lordizinho” atende com desconforto na voz.
Perfeito.
Ele abre a porta com aquela postura educada demais pra alguém que, cedo ou tarde, vai enjoar da boneca e largá-la num canto. A tentativa de sorriso dele me arranca apenas tédio.
— Boa noite, Sean.
— Boa noite… dona Ângela.
Entro sem pedir permissão.
Juízes não pedem permissão para entrar em salas de julgamento.
A casa está arrumada demais. Silenciosa demais.
Tensa demais.
Reconheço cheiro de segredo no ar.
Alexandra sempr