CAYO
Não, ela não é real.
Não pode ser.
Deve ser algum truque da minha cabeça, tanto tempo na escuridão me fez pirar de vez. Esfreguei os olhos com força, a visão ainda embaçada pelo sol que eu quase tinha esquecido como era. Mas quando abri de novo, ela ainda estava lá. E pior: estava vindo na minha direção.
Não era uma caminhada elegante de patricinha. Era uma corridinha desengonçada, desesperada, aquele jeito todo Analu de ser que me derretia por dentro. E antes que eu pudesse processar, ela não desacelerou. Ela se jogou. Eu, por instinto, abri os braços, e ela caiu em mim, as pernas se enrolando na minha cintura como uma corda, os braços se enterrando no meu pescoço, e a boca... aquela boca perfeita e gostosa que eu jurei que nunca mais sentiria, se esmagou contra a minha.
Era quente, era úmida, era um misto de lágrimas salgadas e um sabor que era só dela. Meu corpo todo congelou, mas minha boca... minha boca reagiu sozinha, como se tivesse uma memória própria. Beijei ela de vol