Cayo
Tava no meio de um cabeamento que não fazia sentido nenhum quando o celular vibrou.
Era o Léo. Atendi puto.
— O que foi, cara? Tô no meio de um serviço chato pra caralho.
— Cayo, desce pra tua casa, agora — a voz dele não tinha tom de zoeira. Tava séria, tensa. — Rolou um barraco feio agora pouco. Entre a Gabi e a patricinha… e até a tua mãe entrou no meio.
O sangue esfriou na hora.
Deixei o alicate cair no chão, o barulho ecoando na oficina vazia. Não perguntei mais nada. Só desci correndo. Três quarteirões correndo, viram uma maratona. Cada passo era um pensamento pior que o outro.
Gabi lá. Na minha porta. Com a Analu.
Meu Deus.
Quando cheguei, a porta tava fechada. Respirei fundo, tentando não arrebentar a madeira. Abri. A Analu tava sentada no chão da sala, os braços em volta das pernas, olhando pro nada. Ela levantou o rosto quando eu entrei, e eu vi. Olhos vermelhos, mas secos. Um olhar diferente. De choque, sim, mas também de… determinação? Algo tinha mudado.
— Onde el