Analu
A primeira coisa que senti foi o peso do braço dele atravessado sobre minha cintura, como uma âncora me mantendo presa àquela realidade que eu sabia ser passageira. A segunda foi o cheiro — uma mistura inconfundível de sexo, suor e o perfume barato dos lençóis do motel. Um aroma que já me era estranhamente familiar.
Abri os olhos devagar.
A penumbra do quarto era cortada apenas por uma fresta de luz laranja que entrava pela janela mal fechada — o mundo lá fora ainda não tinha amanhecido completamente.
Madrugada.
A hora mais crua do dia, quando as máscaras caem e as verdades doem mais.
Meu coração acelerou num ritmo de pânico. Eu não devia estar ali. Não devia ter adormecido. As consequências do que eu tinha feito começaram a descer sobre mim como um manto pesado, sufocante.
Com movimentos lentos, cuidadosos, levantei o braço dele — surpresa pela maciez com que ele dormia, tão diferente da ferocidade com que me possuía horas antes. Deslizei para fora da cama, meus pés encontrando