O relógio da sala marcava nove e meia da noite. A casa dos Villach estava envolta em um silêncio denso, o tipo de silêncio que antecede uma tempestade.
A lareira acesa projetava sombras dançantes pelas paredes, e o som sutil do vinho sendo despejado na taça foi o único ruído audível antes que Ofélia se recostasse no sofá de veludo azul. Sobre o tablet, as imagens corriam como uma sequência de pequenas punhaladas. Gemima e Jano sorrindo no campo de golfe. Juno e Luna lado a lado, almoçando.
Quatro rostos iluminados pelo mesmo sol — o mesmo sobrenome ecoando em legendas ousadas: “Domingo em família? O reencontro improvável dos Lancaster-Villach.”
Ofélia inclinou a taça lentamente, observando o reflexo do vinho como se pudesse encontrar ali a origem da própria ira. Os lábios se curvaram em um sorriso contido, sem humor. — Interessante… — murmurou.
— Ela cai em desgraça, e ainda assim, ressurge mais admirada do que nunca. O som dos saltos de Luna soou n