Apartamento de Irina | 17h22 – Dia do encontro
O som do relógio era uma tortura.
Tic. Tac. Tic. Tac.
Cada segundo parecia um sussurro perverso do destino, marcando não o passar do tempo, mas a aproximação de algo inevitável. O apartamento estava silencioso demais, tão silencioso que o tilintar de um botão de perfume caindo sobre a penteadeira soou como um tiro.
Irina permanecia imóvel diante do espelho, mas o reflexo que a encarava era estranho, quase estrangeiro. Ela não via a si mesma, via Af