A manhã amanheceu com preguiça sobre os céus de Boston. O sol, tímido e opaco, tentava se infiltrar entre as nuvens e as cortinas pesadas da cobertura de Evan Médici, como se hesitasse em perturbar o silêncio denso que pairava naquele espaço. Havia algo pesado no ar, uma espécie de vazio recheado de lembranças, como se a noite anterior ainda sussurrasse nos cantos do apartamento.
Evan estava sentado à beira da cama há horas, talvez desde o momento em que o céu ainda era negro. O corpo curvado,