[CHAPTER 7] – GUERRA ABERTA

POV Marina Vasques

Eu não sabia o que pensar.

Nós seguimos juntos, já tínhamos tudo preparado, ficaríamos no mesmo hotel naquela noite, em quartos separados, mas o hotel era o mesmo. Ninguém teria como saber se estávamos ou não no mesmo quarto.

O plano era perfeito, assim eu pensava.

Numa noite tudo muda.

Na manhã seguinte eu vou para a empresa.

O meu telemóvel não parava, telefonemas, mensagens, rumores. Nos jornais eram manchetes, a minha cara, o meu nome, em todo o lado.

Marina Vasques era o nome que todos falava, mas não como era antes. Não como a vítima, a filha preterida, a herdeira solitária, eu hoje nas manchetes era a protagonista.

A empresa fervilhava.

Todos me encaram ao ver-me chegar, mas ninguém ousa falar para mim, os olhares diziam tudo.

Eu entro no escritório do meu avô, agora o meu escritório e sento-me na cadeira dele, que sempre me fez parecer pequena sentada lá, era uma cadeira grande, imponente, uma cadeira que fazia enrijecer de respeito quem olhava para quem lá se sentava. Era a cadeira do poder, do respeito, era a cadeira do CEO do grupo Vasques, uma cadeira cobiçada por muitos, mas, que só a mim pertence, Marina Vasques, a única herdeira, a legitima, a que foi criada para se sentar ali.

Assim que entro e me sento, eu respiro fundo, o escritório está calmo, silencioso, e eu posso estar sozinha.

Mas isso durou pouco tempo, Célia, a minha fiel amiga e assessora entra, sem bater.

Ela podia, ela sabia que podia, eu não me importava que ela o fizesse.

- Diz-me que isto não é verdade – diz-me ela com vários jornais nas mãos

Eu apenas levanto os olhos e olho para ela.

- Depende, do que queres que eu diga – respondo-lhe de forma calma, tranquila e sincera

- Casas-te com um grego milionário em pouco mais de vinte e quatro horas? – pergunta-me ela de forma direta e incrédula

- É verdade – respondo-lhe de forma direta, sincera e frontal

Francesco, outro meu amigo e meu assessor entra logo depois e ouve a minha resposta.

- Eu disse que era verdade – diz ele ao entrar e fechando a porta atrás dele e aproxima-se de nós.

Alguém b**e na porta e nós os três olhamos de imediato para lá.

- Entre – respondo e Juan entra

Juan o meu advogado e o meu amigo mais recente, mas em quem em confio tanto como em Célia e Francesco.

- Fecha a porta – digo e ele fecha a porta e eu faço sinal para ele se juntar à conversa

Juan encosta-se à minha secretária.

- Isto é o melhor escândalo do ano – diz ele a sorrir e a olhar para as manchetes dos jornais

Eu respiro fundo pois eles começam a rir com as palavras e a forma como ele falou.

- Vocês assim não ajudam – digo-lhes bufando

- De onde é que estes jornalistas foram buscar esta ideia – diz Juan que ainda não sabia que era verdade

- É verdade – digo a olhar para ele e vejo que ele fica pálido

- Mas, tu estás bem? – pergunta-me ele agora com um tom sério e incrédulo

A pergunta foi simples, mas carregada.

Eu hesitei antes de lhe responder.

- Não sei – respondo com sinceridade

Eles ficam em silêncio a encarar-me. Eles analisam a minha expressão e tentam ler o que os meus olhos dizem.

- Isso é bom, quer dize que estamos no caminho certo – responde Francesco, o primeiro que fala depois de um silêncio absoluto durante alguns minutos.

Eu olho para ele, confusa com o que ele nos disse.

- Francesco, isto não faz sentido nenhum – responde Célia, a mais pragmática de todos nós

- Estás enganada, faz todo o sentido – insiste Francesco sem nunca desviar os olhos dos meus – Significa que aqui a nossa amiga mudou, finalmente – responde ele a sorrir e eu sorrio para ele

Ele tem razão, eu mudei e muito, e num curto espaço de tempo, apenas em algumas horas, para ser mais especifica.

- Marina, ele é perigoso – responde Juan ao ver informações de Kostas na internet, as poucas que haviam

- Eu também estou a começar a ser – respondo-lhe, direta, frontal, sincera e ainda com rancor na voz pois eu recordava o motivo que me fez mudar e me fez começar a ser perigosa em certo modo

- Se é assim, se é para mudares dessa forma – diz Célia no seu tom habitual – Até que enfim, finalmente, Marina – responde-me ela a sorrir e eu sorrio para ela

- Como isto aconteceu? – pergunta Francesco

- Ainda não vou detalhar nada, mas está tudo controlado – respondo-lhes e noto que eles ficam apreensivos, mas eles confiam em mim

- Estamos aqui para o que precisares – responde Célia

- Sim, para tudo o que precisares – reforça Juan

Francesco fica em silêncio, ele respira fundo.

- Claro que estou aqui para o que precisares – responde-me ele por fim.

A conversa não se alonga. Todos temos muito que fazer. Eles voltam aos seus postos e eu fico no escritório, sozinha.

Mais tarde, a porta volta a abrir-se.

Novamente sem aviso, é o meu pai.

- Marina, filha, precisamos de falar – diz ele num tom que não era de um pai e sim de um adversário

- Mário, já estamos a falar – digo não o chamando de pai como era habitual e ele fica a encarar-me por leves segundos

Ele fecha a porta com alguma intensidade, eu não me assusto, ele já não me intimida.

- Anula esse casamento – diz-me ele e eu começo a rir

- Não – respondo-lhe

- Tu não tens noção das consequências – diz-me ele sempre com o seu ar de autoritário

- Tenho, e muito mais do que tu pensas – digo-lhe e ele aproxima-se de mim

- Esse homem não está contigo por acaso – diz-me ele com apreensão na voz

- Nem tu estás contra mim por acaso – respondo-lhe e ele fica em silencio.

Eu fui direta, o meu tom de voz era perigoso. Ele percebeu isso.

- Estás a ser manipulada mais uma vez – diz-me ele por fim e eu apenas o encaro

- Por quem? – pergunto-lhe com ironia – Por alguém que me protege ou por alguém que nunca me quis? – pergunto-lhe de forma direta e seu que o atingi de forma certeira

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