Mundo ficciónIniciar sesiónPOV Marina Vasques
Eu não sabia o que pensar.
Nós seguimos juntos, já tínhamos tudo preparado, ficaríamos no mesmo hotel naquela noite, em quartos separados, mas o hotel era o mesmo. Ninguém teria como saber se estávamos ou não no mesmo quarto.
O plano era perfeito, assim eu pensava.
Numa noite tudo muda.
Na manhã seguinte eu vou para a empresa.
O meu telemóvel não parava, telefonemas, mensagens, rumores. Nos jornais eram manchetes, a minha cara, o meu nome, em todo o lado.
Marina Vasques era o nome que todos falava, mas não como era antes. Não como a vítima, a filha preterida, a herdeira solitária, eu hoje nas manchetes era a protagonista.
A empresa fervilhava.
Todos me encaram ao ver-me chegar, mas ninguém ousa falar para mim, os olhares diziam tudo.
Eu entro no escritório do meu avô, agora o meu escritório e sento-me na cadeira dele, que sempre me fez parecer pequena sentada lá, era uma cadeira grande, imponente, uma cadeira que fazia enrijecer de respeito quem olhava para quem lá se sentava. Era a cadeira do poder, do respeito, era a cadeira do CEO do grupo Vasques, uma cadeira cobiçada por muitos, mas, que só a mim pertence, Marina Vasques, a única herdeira, a legitima, a que foi criada para se sentar ali.
Assim que entro e me sento, eu respiro fundo, o escritório está calmo, silencioso, e eu posso estar sozinha.
Mas isso durou pouco tempo, Célia, a minha fiel amiga e assessora entra, sem bater.
Ela podia, ela sabia que podia, eu não me importava que ela o fizesse.
- Diz-me que isto não é verdade – diz-me ela com vários jornais nas mãos
Eu apenas levanto os olhos e olho para ela.
- Depende, do que queres que eu diga – respondo-lhe de forma calma, tranquila e sincera
- Casas-te com um grego milionário em pouco mais de vinte e quatro horas? – pergunta-me ela de forma direta e incrédula
- É verdade – respondo-lhe de forma direta, sincera e frontal
Francesco, outro meu amigo e meu assessor entra logo depois e ouve a minha resposta.
- Eu disse que era verdade – diz ele ao entrar e fechando a porta atrás dele e aproxima-se de nós.
Alguém b**e na porta e nós os três olhamos de imediato para lá.
- Entre – respondo e Juan entra
Juan o meu advogado e o meu amigo mais recente, mas em quem em confio tanto como em Célia e Francesco.
- Fecha a porta – digo e ele fecha a porta e eu faço sinal para ele se juntar à conversa
Juan encosta-se à minha secretária.
- Isto é o melhor escândalo do ano – diz ele a sorrir e a olhar para as manchetes dos jornais
Eu respiro fundo pois eles começam a rir com as palavras e a forma como ele falou.
- Vocês assim não ajudam – digo-lhes bufando
- De onde é que estes jornalistas foram buscar esta ideia – diz Juan que ainda não sabia que era verdade
- É verdade – digo a olhar para ele e vejo que ele fica pálido
- Mas, tu estás bem? – pergunta-me ele agora com um tom sério e incrédulo
A pergunta foi simples, mas carregada.
Eu hesitei antes de lhe responder.
- Não sei – respondo com sinceridade
Eles ficam em silêncio a encarar-me. Eles analisam a minha expressão e tentam ler o que os meus olhos dizem.
- Isso é bom, quer dize que estamos no caminho certo – responde Francesco, o primeiro que fala depois de um silêncio absoluto durante alguns minutos.
Eu olho para ele, confusa com o que ele nos disse.
- Francesco, isto não faz sentido nenhum – responde Célia, a mais pragmática de todos nós
- Estás enganada, faz todo o sentido – insiste Francesco sem nunca desviar os olhos dos meus – Significa que aqui a nossa amiga mudou, finalmente – responde ele a sorrir e eu sorrio para ele
Ele tem razão, eu mudei e muito, e num curto espaço de tempo, apenas em algumas horas, para ser mais especifica.
- Marina, ele é perigoso – responde Juan ao ver informações de Kostas na internet, as poucas que haviam
- Eu também estou a começar a ser – respondo-lhe, direta, frontal, sincera e ainda com rancor na voz pois eu recordava o motivo que me fez mudar e me fez começar a ser perigosa em certo modo
- Se é assim, se é para mudares dessa forma – diz Célia no seu tom habitual – Até que enfim, finalmente, Marina – responde-me ela a sorrir e eu sorrio para ela
- Como isto aconteceu? – pergunta Francesco
- Ainda não vou detalhar nada, mas está tudo controlado – respondo-lhes e noto que eles ficam apreensivos, mas eles confiam em mim
- Estamos aqui para o que precisares – responde Célia
- Sim, para tudo o que precisares – reforça Juan
Francesco fica em silêncio, ele respira fundo.
- Claro que estou aqui para o que precisares – responde-me ele por fim.
A conversa não se alonga. Todos temos muito que fazer. Eles voltam aos seus postos e eu fico no escritório, sozinha.
Mais tarde, a porta volta a abrir-se.
Novamente sem aviso, é o meu pai.
- Marina, filha, precisamos de falar – diz ele num tom que não era de um pai e sim de um adversário
- Mário, já estamos a falar – digo não o chamando de pai como era habitual e ele fica a encarar-me por leves segundos
Ele fecha a porta com alguma intensidade, eu não me assusto, ele já não me intimida.
- Anula esse casamento – diz-me ele e eu começo a rir
- Não – respondo-lhe
- Tu não tens noção das consequências – diz-me ele sempre com o seu ar de autoritário
- Tenho, e muito mais do que tu pensas – digo-lhe e ele aproxima-se de mim
- Esse homem não está contigo por acaso – diz-me ele com apreensão na voz
- Nem tu estás contra mim por acaso – respondo-lhe e ele fica em silencio.
Eu fui direta, o meu tom de voz era perigoso. Ele percebeu isso.
- Estás a ser manipulada mais uma vez – diz-me ele por fim e eu apenas o encaro
- Por quem? – pergunto-lhe com ironia – Por alguém que me protege ou por alguém que nunca me quis? – pergunto-lhe de forma direta e seu que o atingi de forma certeira







