Mundo de ficçãoIniciar sessão✦POV: Lorraine✦
O casamento foi na manhã seguinte.
Nada de igrejas. Nada de vestidos brancos. Nada de convidados.
Apenas um juiz particular, duas testemunhas que eu nunca havia visto na vida, e Angelo Valenti usando o mesmo terno preto da noite anterior.
Eu usava um vestido cinza que a empregada havia deixado sobre a cama. Simples. Elegante. Funcional.
Nada de véu. Nada de buquê.
Apenas um contrato sendo selado com um aperto de mãos.
— Você aceita, Lorraine De Angelo, tomar Angelo Valenti como legítimo esposo?
— Aceito.
A palavra saiu estranha. Errada. Como se não pertencesse à minha boca.
— Você aceita, Angelo Valenti, tomar Lorraine De Angelo como legítima esposa?
— Aceito.
A voz dele era firme. Calma. Sem emoção.
O juiz sorriu. As testemunhas assinaram. O contrato foi carimbado.
E assim, em menos de quinze minutos, eu me tornei Lorraine Valenti.
Quando voltamos para a limusine, eu estava em estado de choque.
— Parabéns — disse Angelo, sem ironia. — Agora é oficialmente minha esposa.
— Parece um pesadelo.
Ele quase sorriu.
— Alguns diriam que sim.
O carro começou a se mover. A mansão Valenti ficava cada vez mais distante.
— Para onde estamos indo? — perguntei.
— Lua de mel.
Soltei uma risada curta.
— Lua de mel? Pensei que isso não fizesse parte do contrato.
— Não faz. — Angelo cruzou as pernas. — Mas precisamos manter as aparências. Um casamento sem lua de mel levantaria suspeitas.
Claro.
Aparências.
Tudo naquele mundo se resumia a aparências.
A lua de mel foi em uma vila isolada na costa da Toscana. Um lugar bonito demais para ser real, com jardins que desciam até o mar e quartos que pareciam saídos de uma revista de decoração.
Angelo ocupou a suíte principal. Eu fiquei em um quarto no corredor oposto.
Separados.
Sempre separados.
Na primeira noite, eu fiquei acordada até tarde, ouvindo o som das ondas lá embaixo. Esperando. Não sabia o quê. Talvez um toque na porta. Talvez uma voz chamando meu nome.
Nada aconteceu.
Na segunda noite, tomei coragem e desci para a cozinha. Angelo estava sentado à mesa da varanda, uma xícara de café na mão, olhando o mar.
— Também não consegue dormir? — perguntei.
— Raramente durmo.
Aproximei-me. Sentei na cadeira ao lado dele. A noite estava clara, estrelas brilhando como diamantes sobre a água.
— Por que me escolheu, Angelo? — A pergunta saiu antes que eu pudesse conter. — Poderia ter qualquer mulher. Qualquer herdeira. Qualquer princesa da máfia. Por que uma bastarda rejeitada?
Ele ficou em silêncio por tanto tempo que achei que não responderia.
— Porque você é forte — disse finalmente. — Porque você não se quebrou quando todos tentaram quebrá-la. Porque você é exatamente o tipo de pessoa que eu preciso ao meu lado.
— Precisa para quê?
Ele me olhou. Seus olhos, na penumbra, pareciam brilhar.
— Para vencer uma guerra que ainda nem começou.
No dia seguinte, voltamos para a Sicília.
O contrato estava assinado. O casamento estava consumado no papel. E eu, Lorraine, a filha que nunca foi desejada, agora era esposa do homem mais temido da Itália.
Ainda assim, quando deitei minha cabeça no travesseiro naquela noite, senti um vazio enorme no peito.
Porque pela primeira vez na vida, eu tinha um nome. Um título. Um lugar.
Mas continuava sozinha.
Talvez, pensei, antes de o sono me levar, eu sempre estivesse destinada a ser assim.
Sozinha.
Mesmo acompanhada.







