MAYA
O silêncio na cobertura era tão denso que eu podia ouvir a batida acelerada do meu próprio coração. Eu estava parada diante da vidraça, vendo as luzes da cidade cintilarem como pequenas promessas quebradas. Meus olhos estavam fixos no prédio vizinho, onde, há poucos minutos, o drama de Anna Lovatelli quase terminou em tragédia.
Eu tentei afastar os pensamentos que nublavam minha mente. Arthur e eu já tínhamos passado por essa dor antes; já tínhamos chorado juntos a suspeita de que a morte