MAYA
O som do motor do SUV roncava baixo, um zumbido constante que parecia vibrar dentro dos meus ossos. Olhei pela janela lateral, observando os reflexos dos postes da Rodovia riscarem o vidro escuro como flashes de uma memória distante. Era noite de quinta-feira. O céu da cidade estava encoberto por uma névoa espessa, e o ar-condicionado do carro mantinha a temperatura amena, mas minhas mãos estavam frias.
Eu estava com medo.
Um medo primitivo, avassalador, que não tinha relação com as planil