302 - O que eu fiz

O bar escolhido era um daqueles clássicos: luz baixa, madeira escura, garrafas expostas atrás do balcão e um mural de barris decorativos.

Cassio e Dorian se acomodaram em uma mesa mais reservada, perto da parede.

— Duas doses do Lagavulin 16. — Cassio pediu ao garçom, automático, sem nem pensar.

— Uma só. — Dorian corrigiu. — Eu tô dirigindo.

Cassio nem respondeu.

Apenas pegou o próprio copo quando chegou e virou metade já na primeira golada.

O álcool queimou a garganta, mas não fez nem cócega na tormenta dentro dele.

— Vai me contar agora — Dorian disse, cruzando os braços. — Desde quando você e a Malu…?

Cassio soltou um suspiro que misturava frustração, saudade e orgulho.

E aí começou a falar.

Contou sobre o primeiro beijo no apartamento.

O "intervalo" no sofá da Malu.

A tensão no elevador.

A aproximação inevitável.

Dorian ouviu com a mesma expressão de sempre, impassível, até erguer uma sobrancelha quando Cassio descreveu a cena da porta batendo no dia da festa.

— Ahn… — Dorian dis
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