O chalé ainda cheirava a madrugada.
Leite, suor, chuva e medo.
Camila estava sentada na cama, exausta, com o corpo dolorido e o coração aberto demais para se defender. Gabriel dormia em seus braços, pequeno, quente, real demais para ser apenas parte de um contrato.
Ela não conseguia parar de olhá-lo.
Cada respiração do bebê parecia uma promessa que ela não sabia se poderia cumprir.
A porta rangeu.
Beatriz entrou sem pedir licença.
Não havia gritos.
Não havia escândalo.
A calma dela era o que mais assustava.
— Então… — disse, observando a cena como quem avalia uma obra rara — ele nasceu.
Camila apertou o bebê contra o peito instintivamente.
— Não chega perto — sussurrou, a voz fraca, mas carregada de instinto.
Beatriz sorriu de lado, um sorriso frio, calculado.
— Você ainda não entendeu, Camila. Eu não preciso chegar perto. — aproximou-se apenas o suficiente para olhar o bebê — Ele já é meu.
Ricardo surgiu atrás dela, tenso.
— Beatriz, acabou. Você não manda mais em nada.
Ela se virou