A noite caiu silenciosa sobre o chalé, mas dentro dele nada estava em paz.
Camila estava sentada na beira da cama, as mãos repousadas sobre a barriga, sentindo o bebê se mexer com mais intensidade do que o normal. Ou talvez fosse ela mesma, inquieta demais para distinguir o que vinha de dentro e o que vinha do medo.
Desde a visita da polícia, tudo parecia diferente. Mais real. Mais definitivo.
Ricardo observava da janela, o olhar perdido na escuridão do lado de fora. Pela primeira vez em muito tempo, ele sentia que não havia mais para onde correr — e, estranhamente, isso lhe trazia uma clareza dolorosa.
— Eles vão voltar — disse ele, quebrando o silêncio. — Não vão largar esse caso agora.
Camila assentiu devagar.
— Eu sei. — A voz dela saiu baixa. — E, dessa vez, não é só sobre Beatriz. É sobre tudo o que foi construído em cima de mentiras.
Ricardo se aproximou, ajoelhando-se à frente dela.
— Me arrependo de não ter enxergado antes. De ter permitido que aquele contrato existisse daque