O quarto estava silencioso demais.
Camila acordou sobressaltada, com a mão cravada no próprio ventre.
O coração batia descompassado, como se tivesse acabado de perder algo — de novo.
Demorou alguns segundos até a realidade se impor.
Não havia bebê ali.
Não naquele ventre.
O lençol estava frio. O quarto, escuro. Ricardo dormia ao lado, exausto, com marcas profundas de quem também carregava fantasmas.
Camila respirou fundo, mas o ar não parecia suficiente.
Desde o nascimento do segundo filho, algo dentro dela havia se quebrado de vez.
Ela amava aquele bebê.
Protegia.
Amamentava.
Sorria para ele.
Mas, à noite…
à noite, era outro choro que ela ouvia.
Levantou-se devagar e caminhou até o espelho.
O reflexo devolveu uma mulher mais magra, mais pálida — e com um olhar dividido.
— Fica calmo… — sussurrou para si mesma, passando a mão no ventre vazio, num gesto automático. — A mamãe tá aqui…
Parou.
O que tinha acabado de dizer?
As lágrimas vieram antes que pudesse impedir.
Não era loucura.
Era