O primeiro golpe não veio com algemas, nem com manchetes.
Veio com silêncio.
Beatriz percebeu logo ao acordar naquela manhã. O telefone, sempre vibrando com mensagens, convites e confirmações, estava imóvel sobre a mesa de cabeceira. Nenhuma notificação. Nenhuma chamada perdida.
Ela franziu o cenho, incomodada.
Silêncio, para alguém como ela, não era descanso — era ameaça.
Levantou-se, atravessou o quarto amplo do apartamento temporário e abriu as cortinas com força. A cidade seguia seu ritmo indiferente, carros, pessoas, vida acontecendo sem pedir permissão. Aquilo a irritou.
Ela pegou o celular e discou um número conhecido.
— Caixa postal — informou a gravação.
Beatriz desligou com um movimento seco e ligou para outro contato.
Chamou. Chamou. Nada.
O maxilar dela se contraiu.
— Interessante… — murmurou.
No mesmo instante, o celular vibrou.
Uma mensagem.
“Precisamos conversar. Urgente.”
— Conselheiro Augusto
Beatriz sentiu um leve aperto no estômago, mas manteve a postura. Digitou rá