O dia amanheceu em silêncio.
Um silêncio pesado, denso, daqueles que não trazem paz — apenas lembranças do que foi dito, e do que ficou entalado na garganta.
Camila estava sentada na beira da cama, o corpo imóvel, as mãos segurando uma caneca de café que já esfriara há muito tempo.
Do lado de fora, o som dos galhos ainda molhados pela chuva da noite anterior misturava-se ao piar de alguns pássaros tímidos.
Ricardo se movia pela casa, inquieto.
Recolhia coisas do chão, fechava cortinas, trancava