O choro do bebê ainda ecoava pela sala como um milagre recém-desembrulhado quando a porta da clínica bateu com tanta força que fez Camila estremecer na cama.
Ricardo virou-se de imediato, o coração pulando no peito.
O segurança que avisara segundos antes voltou à porta, pálido.
— Senhor Ricardo… ela tá vindo rápido demais. Eu tentei barrar, mas—
Um grito cortou o corredor.
Um grito cheio de ódio, dor e fúria crua.
— RICARDO!
ABRE ESSA PORTA AGORA!
Camila apertou o bebê contra o peito, instintivamente, como uma loba defendendo seu filhote.
— Não deixa ela entrar… — ela sussurrou, a voz tremendo.
Ricardo colocou-se à frente da cama, instintivo, protetor, o corpo inteiro em alerta.
— Eu não vou deixar. Juro.
Mas o corredor parecia um campo de batalha.
Passos apressados. Objetos caindo. Portas batendo com violência.
E então ela apareceu.
Beatriz.
Ensopada da tempestade, com lama até os joelhos, os cabelos colados ao rosto, mas com olhos… olhos que queimavam como febre.
As mãos tremiam.
O