O dispositivo caiu na lama com um som seco, quase abafado pela tempestade.
Ricardo e Beatriz rolaram pelo chão, os dois ensopados, respirando com dificuldade, as mãos lutando por qualquer vantagem.
O chão estava escorregadio, a chuva era pesada, a noite parecia viva — sombria e cheia de dentes.
Beatriz tentou se levantar primeiro.
Ricardo agarrou seu braço e a puxou de volta.
— VOCÊ É LOUCA! — ele gritou, a voz rouca de desespero.
— VOCÊ ME OBRIGOU A SER! — ela devolveu, tentando empurrá-lo para longe.
O brilho do dispositivo piscou na lama, a luz vermelha pulsando como um coração artificial prestes a parar.
Um raio cortou o céu.
E foi esse clarão que revelou algo que fez Ricardo gelar por dentro:
Caio correndo em direção ao dispositivo.
— NÃO TOCA NISSO! — Ricardo berrou.
Caio ignorou o grito.
Ele escorregou na lama, levantou-se, cambaleou, estendeu a mão…
1 — O dispositivo
Beatriz viu antes de Ricardo.
— NÃO! — ela gritou, tentando se libertar.
Mas Ricardo segurou seu braço com forç