A chuva caía como lâminas sobre o pátio da clínica.
O vento empurrava a água contra o chão, contra as paredes, contra as janelas — como se a natureza inteira estivesse reagindo ao confronto que finalmente aconteceria.
Ricardo parou no meio do pátio, os cabelos encharcados, o peito subindo e descendo num ritmo acelerado.
A porta atrás dele se fechou, abafando os gritos de Camila que ainda ecoavam em sua mente como punhaladas.
Beatriz caminhou até ele devagar, passos lentos, quase elegantes, como se aquela tempestade fosse feita para ela.
— Que noite… — ela sorriu, passando a mão nos próprios cabelos molhados. — Dramática, intensa… perfeita para uma despedida.
Ricardo cerrou os punhos.
— A única despedida que vai acontecer aqui… é a sua.
Ela riu.
— Você sempre foi tão impulsivo. Nunca aprendeu a pensar antes de agir.
— E você nunca aprendeu a amar — ele retrucou, a voz grave, firme.
A expressão de Beatriz endureceu.
— Eu amei você! — ela gritou, a máscara por fim rachando. — Amei mais d